É assim a vida...


A prova provada de que sou muito mais interessante a nível psicológico do que físico, é o facto de ter mais visitas o meu profile no Blogger do que no Hi5.
Olha, paciência!!!

Ready For Love




I am ready for love,
why are you hiding from me
I'd quickly give my freedom
to be held in your capitivity
I am ready for love,
all of the joy and the pain
and all the time that it takes
just to stay in your good grace
lately I've been thinking maybe you're not
ready for me,
Maybe you think I need to learn maturity
they say watch what you ask for 'cuz you might receive
but if you ask me tomorrow, I'll say the same thing
I am ready for love,
would you please lend me your ear
I promise I won't complain
I just need you to acknowledge I am here
If you give me half a chance
I'll prove this to you
I will be patient, kind, faithful and true
to a man who loves music
a man who loves art
respect the spirit world and thinks with his heart
I am ready for love
if you'll take me in your hands
I will learn what you teach
and do the best that I can
I am ready for love
here with an offering of my voice
my voice, my eyes, my soul, my mind
tell me what is enough
to prove I am ready for love
I am ready.
India Arie

Génio... Louco...


Faça você também Que gênio-louco é você? Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia



Eu sabia que havia génios e sabia que havia loucos, mas pensei que a primeira premissa estava indubitavelmente associada à segunda. Nunca achei necessário reforçar a ideia, mas pelos vistos O Mundo Insano da Abyssinia acha que sim. E se eles acham quem sou eu para discordar, não é?
Enfim, isto só podiam ser descobertas do Sr. Houdinni ali ao lado no Pecaminoso Vagabundo. O facto é que até tem piada e as perguntas são engraçadas. Acho mesmo que vou definir um dia do mês para publicar um post deste género.
Mas aqui o que interessa mesmo é que os caríssimos leitores deste nada modesto blog atentem que eu sou um mestre em todos os sentidos. Neste caso uma mestra...
Em bem tinha razão ao criar este nickname e dar este nome a este blog e O Mundo Insano da Abyssinia só veio comprovar o que todos já sabíamos não era? (Agora é a parte em que devem deixar comentários a dizer que sim, que concordam e que de facto eu sou um mestre em todos os sentidos).
Só espero que daqui a uns anos reconheçam o meu talento inato para a mestria, em todos os sentidos (obviamente) e me pagem em conformidade com o caso.
Até lá, emigro para Coimbra e deixo-vos a pensar nesta vossa blogger que mais uma vez reforço, é um mestre em todos os sentidos...



(Gostei mesmo do raio do resultado do teste. Acho que deu para perceber, não?)
(E agora é a parte em que acrescentam um novo comentário ao comentário já deixado a dizer que sim, que perceberam e a reforçar a ideia de que eu sou um mestre em todos os sentidos. OK?)

Heterónimos dos tempos modernos...



Ando já há algus dias a tentar escrever sobre este assunto e a coisa não está fácil. São muitas ideias que é preciso organizar de forma a que me entendam e que me entanda a mim própria. E além disso têm de fazer sentido, senão não estariam aqui neste blog e andariam perdidas noutro blog qualquer.
Esta ideia surgiu-me num dia à noite antes de adormecer, num daqueles momentos filosóficos que me dão antes do meu cérebro parar por completo e entrar naquela espécie de coma que é o meu sono. Num desses momentos surge-me a ideia de que o que leva as pessoas a escreverem num blog é muitas vezes o desabafo, senão na maioria dos casos, pelos menos em metade deles.
Ou seja, as pessoas criam um ou dois ou três ou muitos mais blogs porque precisam de falar sobre determinados assuntos, precisam de desabafar coisas que acabam por não poder contar a mais ninguém.
E criam vários blogs pela simples de razão de que cada um deles tem um estilo próprio que se vai definindo e que ao fim de algum tempo é preciso manter. Afinal de contas, já angariámos um número de leitores que é preciso não desiludir. E como nos apetece falar de outras coisas, temos de arranjar um novo espeço onde essas coisas se encaixem.
Em cada blog que criamos vamos construíndo uma personalidade nossa, que cada leitor vai agregando em pequenas partes até que crie um ideia sobre quem somos. E nós vamos espelhando nesse blog aquilo que somos ou gostaríamos de ser.
Em cada blog construímos uma pessoa, um ser humano, uma personalidade específicos. Em cada blog damos um pouco de nós. Mas não somos os mesmos em todos os blogs que construímos. Excepção feita aos blogs conjuntos sobre os quais ainda não me debrucei convenientemente. Ou seja, ainda não entrei em coma letárgico de sono a pensar nisso.
Melhor dizendo, os blogs tornaram-se nos heterónimos dos tempos modernos.
Quando pensava em Fernando Pessoa e na sua loucura insana de criar 300 e tal heterónimos, todos com nome, data e local de nascimento, perfil astrológico traçado e etc e tal achava que o Sr. era louco. Não é que não continue a achar, mas agora volto-me mais para o conceito de génio. Ah! E sim, ele fazia o perfil astrológico de todos eles. Era um grande adepto da astrologia.
E eu penso: E nós, não fazemos o mesmo, mas de forma menos minuciosa e cuidada? Não criamos um personagem específico que encarnamos em cada blog que escrevemos? Seremos sempre e a mesma pessoa em todos os blogs?
Se a resposta for sim, fico ainda mais preocupada. Porque aí tenho a dizer que então seremos todos bipolares. Pessoas com dupla e tripla e quádrupla personalidade. Aliás, seremos todos bipolares, tripolares, quadripolares e por aí fora.
Eu própria, aderi ao fascíno da blogosfera e criei mais do que um. Não porque tenha dupla ou tripla personalidade, mas porque como diz a plataforma concorrente, "Porque um não chega!".
Porque apenas num blog não exprimo tudo o que quero. Porque quis manter o anonimato nas palavras e isso deixou de ser possível. Porque criei uma imagem num blog que se foi revelando impossível de manter. Porque simplesmente me deu a loucura (pena que não de forma genial como ao Nandinho, vulgo, Fernando Pessoa) e fui criando, sem me aperceber vários heterónimos de mim mesma.

Libertação...


Rasgou as roupas que vestia numa tentativa desesperada de se libertar. De eliminar por completo o rasto que dele trazia colado junto à pele. O rasto de alguém que nunca lhe pertenceu, nem no corpo nem na alma.
Rasgou pedacinho a pedacinho, milimetricamente. Rasgou tudo por completo, até ficar nua, até se sentir despida. Dele, das roupas, de tudo. Até sentir qur finalmente se libertava, que o seu coração batia pelas simples razão da sua existência. Deixando de se preocupar com outras existências.
Sentiu-se liberta, enquanto dançava completamente nua na chuva que caía. Dançou debaixo da água que caía do céu e debaixo daquela que caía dos seus olhos.

Cair...


Jurara a si própria um dia, não voltar mais a cair na vida. Jurara que não tropeçaria sequer nunca mais. Que não encontraria mais nenhum piso escorregadio que a levasse ao chão novamente.
Falhara...
Mais uma vez vira o aviso e tentara patinar sem patins. O resultado tinha sido uma nódoa negra no lugar do coração.

Vida vazia...


Habituara-se à rotina dos dias sem cor que lhe iam passando diante dos olhos, sem que os visse. Sem que vislumbrasse a sua forma nem a forma como decorriam. Sem que vislumbrasse de que cor eram esse dias.
Todos os dias se levantava, vestia e fazia o pequeno-almoço para os filhos que iam para a escola. A mesma para a qual ela ia nos tempos em que a frequentava. Depois dos pequenos saírem, era a vez de servir o marido e por fim, comia ela.
Quando a rotina da manhã findava, arrumava a cozinha e começava a magicar no que seria o almoço. Desta vez só para ela e os filhos. O marido almoçava lá na fábrica onde também ela tinha trabalhado antes de a despedirem.
Cozinhava mais uma vez e comia. Desta vez acompanhada por aquilo que dizia ser a razão da sua existência. Mais uma vez limpava o que os outros sujavam, desculpando-se que essa era a sua sina. A de todas as que nasciam mulheres.
A tarde era preenchida pelas novelas que se sucediam nas tv's. Gostava de se evadir do seu mundo, sonhando e vivendo os sonhos daqueles que conhecia apenas na televisão.
Chegava a noite e mais uma vez cozinhava e limpava, como fazia sempre, noite atrás de noite, dia atrás de dia. E no fim, ia deitar-se e fazia o "favor" ao marido, com medo de que caso não o fizesse, ele fosse procurar outra e depois era a carga dos trabalhos que ela sozinha não consegui criar os miúdos. Ainda por cima eles estavam a crescer e precisavam sempre de coisas e mais coisas, que ela sozinha não lhes poderia dar.
E nisto vivia os seus dias. Expectante das novidades das novelas, que vivia como se fossem a sua própria vida, sem ter a coragem de viver aquilo que a própria vida lhe dava.

Eu sei que sou...

You Are The Empress

You represent the ideal female figure: beauty and nurturing.
You bring security and harmony to many.
At times, you are also a very sensual person.
You are characterized by love, pleasure, and desire.

Your fortune:

You need to take some time to think about the role of commitment in your life.
It's possible you need to commit more to others, or deal with how others have treated you.
It is very important for you to support your friends and family right now, difficult as it may be.
You may need to look at your relationship with your mother, or your relationships as a mother.

E dá a volta do avesso...

Your 2006 Summer Anthem Is

Promiscuous by Nelly Furtado

"I'm only trying to get inside your brain
To see if you can work me the way you say
It's okay, it's alright
I got something that you might like"

Virada do avesso...



No espaço de dois dias apenas, viraram-me o Mundo do avesso...
Levei semelhante abanão que por momento pensei mesmo em por fim a tudo e deixar que as coisas levassem o seu rumo.
Pensei seriamente em suicídio, tal era a questão que se me colocou à frente. Sim, caso grave. Sim, provavelmente não sou normal. Mas pelo menos tenho a coragem de assumir que ponderei essa hipótese e percebi que é possível chegar a um estado de desespero tal na vida que se pondere se acabar com ela não será a melhor solução.
E sim, escrevo sobre isto, não para que tenham pena de mim, mas para que percebam que pensar nesta hipótese pode ser uma coisa perfeitamente normal.
Há alturas em que não se pondera nada. E não é só por problemas pequenos, do tipo não conseguir arranjar um emprego. É por algo mais. Muito mais. Um sofrimento que nos come a alma e gritar não nos alivia.
Dilacera-nos de tal forma, que sentimos o peito a quebrar. A alma parte-se em dois e nós deixamos de sentir o que quer que seja, porque a dor no peito não nos permite sentir nada mais.
Reconheço e sou a primeira a dizer que o suicído não é solução. Mas quando se estuda a coisa e eventualmente até se simula um possível risco de alguém que nos pede ajuda, não é o mesmo que sentir a vontade de o fazer na pele.
O suicídio é ainda um assunto tabu. Quer social, quer cultural, quer mesmo catolicamente falando. É um risco falar dele. Olham-nos como malucos que não sabem lidar com os problemas e optam pela solução mais fácil. Enganam-se. O suicídio é a solução mais difícil de todas. A que requer mais tempo para ser preparada, a que requer mais tempo para se pensar na decisão porque não há forma de voltar atrás. A que requer mais coragem de dar o passo definitivo em que o erro pode ser crucial.
É algo que choca, sobre o qual não queremos pensar. Algo que nunca nos vai acontecer porque até somos gajos e gajas equilibrados, nascemos num bom ambiente e não somos delinquentes, nem malucos da cabeça, nem temos problemas graves.
Mas é algo real. É um risco que todos corremos. E só cada um pode responder por si.
A mim apeteceu-me virar tudo das avessas e falar deste assunto. Do meu risco real sobre o qual todos, eventualmente, já pensámos um dia e nem por isso o fizemos nem sequer tentámos.
Mas o risco não deixou de exisitir. Não se falou foi dele. Nunca.

Folha de Outono...


Sinto-me folha de Outono. Amarela, seca e já sem vida. Como última missão, alimentar a Terra que me alimentou quando era verde, húmida e balouçava livremente na árvore que me acolhia nos seus ramos.
Sinto-me meia morta. Meia viva.
Limitei-me a fazer a minha tarefa. Não sonhei nunca com mais. Não voei nas asas do vento, não tentei servir de alimento a ninguém. Limitei-me a ficar ali à espera de perceber qual a minha missão e vi a vida a passar sem ousar sonhar com algo mais.
Mas agora caí abaixo do ramo que me segurava. deixei de poder sequer sonhar, porque o tempo se esvaiu enquanto eu pensava nessa dúvida existencial de sonhar ou não sonhar. Era essa a minha questão.
Caí. Dei um tombo descomunal. Costumava estar pendurada lá em cima nos ramos mais altos. Sempre achei que esse era o meu lugar. Permitia-me esta mais perto do céu e ver as nuvens, o sol, a lua, as estrelas. Tudo.
Agora arrasto-me pela rua onde caí, ao sabor pretensioso deste vento gelado. Agora sonho que alguém pega em mim e me leva para casa para me coleccionar, para me guardar nas páginas de um livro maravilhoso que leu. Agoro sonho que posso ser eventualmente a recordação fantástica de alguém, a recordação de tempos felizes de Primavera e Verão.
Transformei-me numa folha de Outono e só dei conta disso tarde demais.

Vou-me internar...




Acabo de cair da cadeira onde estou sentada em frente do computador, porque tive uma horrível comichão no pé e baixei-me tanto que caí.
E agora não consigo para de rir como uma parva, por causa da minha própria estupidez e da figura de parva que acabo de fazer. Felizmente sem assistência…
Está a ficar crónico!

Tenho traumas...



Já tentei escrever este post hoje de manhã, o que até era uma coisa inédita, já que só me dá vontade de escrever à noite, mas o raio do computador adquiriu vida própria e resolveu fechar a porcaria da página, sem que eu tivesse tempo sequer de salvar o texto que já estava todo bonitinho e arranjadinho. Que raiva me deu!!!
Tenho traumas, pois tenho! E tenho vários. Mas também quem é que não os tem?
O meu trauma mais recente é o do casamento. Sim, porque ontem fiquei a saber que uma miúda que conheço, que por acaso até é quase da minha idade, tem 20 anos, vive com o namorado e está à espera de acabar o curso para casar. E eu penso, mas será que esta gente não tem sonhos? Será que esta geração (que por acaso até é a minha, mas neste caso, com a qual não me identifico) ainda acredita nas histórias da Carochinha e da Cirendela?
Se calhar até tem sonhos, mas provavelmente serão com o ferro de engomar, com a máquina de lavar e etc e tal.
Não que eu não espere um João Ratão disfarçado de Príncipe Encantado, mas com esta idade francamente! Eu com a idade dela já tinho ido morar sozinha numa cidade grande (e ainda nem era maior de idade), já tinha ido morar sozinha num país estrangeiro do qual não sabia dizer uma única palavra e já tinha percorrido 1/3 da Europa e mesmo assim ainda hoje não sonho casar. Sonhava era namorar muito. E sonho! Mas casar???
Ainda por cima o namorado da dita cuja é um gajo que conheci no outro fim-de-semana que se fartou de insinuar e sobre o qual pensei: "Hum... Não és mau, não senhora! Despacha lá a tua namorada que depois falamos e pode ser que a coisa até se dê!". Enfim, o mundo está perdido...
Provavelmente o problema é meu, até porque nem sequer acredito muito na instituição casamento. Mas a culpa é dos meus pais que se divorciaram quando eu tinha 16 anos. Esse é mais um trauma que nunca ultrapassei.
Mas pensar em casar com 20 anos? For God sake!!!
Eu, para eventualmente um dia pensar nisso, tenho de encontrar primeiro um Homem que me fascine tanto, mas tanto, que chegue ao ponto de querer passar todos os dias da minha vida ao seu lado. E além disso, tenho de pensar que é MESMO para toda a vida, nem que na realidade não o seja.
E pronto, por hoje, são estes os meus traumas...

Pelo menos estou viva...


Doente, cansada, mas extremamente feliz!

Descobri os sonhos e os objectivos. Mesmo que não os alcance pelo menos sei que ainda vivem em mim.

Cheio vs. Vazia


Sinto-me vazia...
Não consigo escrever nada porque me esvaziaste de tudo...
Mas não me importo. Desde que assim fiques cheio de mim...

Janela aberta...



Todas as noites deixo um pouco da minha janela aberta. Mania? Pancada? Loucura? Talvez nenhuma delas e um pouco de cada uma.

Abro-a para que sintas que ainda te deixo entrar quando o decidires fazer. Para que vejas posso ter fechado a porta, mas abri uma janela, tal como Deus(a).

Abro-a na esperança, que todas as noite entres. Que pelo menos entres nos meus sonhos...

Nenhum deles és tu...


Quero dizer-te e não consigo. Olho e não vejo. Passo e não deixo rasto.
Posso ter dezenas de homens a olharem para mim. Alguns até a dizerem-me que sou o sonho de mulher, que qualquer homem desejaria.
Uns aproximam-se, outros não. Alguns têm medo e caminham devagar, outros pensam coisas que são pura imaginação.
Em todos te procuro. Mas nenhum deles és tu.

Uma História...


Mais uma noite que cai numa imensidão de dias que passam, sem que os veja, tal é o cansaço de os ver seguir sempre iguais. Mais uma noite em que venho cumprir um ritual, sem pensar muito, porque já automatizei os gestos que me recordam o que é o prazer dos vícios.
Venho à janela do quarto onde durmo, mas que não posso chamar de meu, tal o número de pessoas de quem já terá sido antes de mim. Olho para os prédios lá ao fundo da rua, dos quais vejo todas as janelas e respectivas luzes a acender e apagar. Sinais da presença humana num Mundo que me parece demasiado grande só para mim. Faz-me sentir que não estou só. Que partilho o mesmo céu com muitos alguéns que vagueiam nesta imensidão da noite da mesma forma que eu.
Acendo um cigarro daquela marca que me habituei a fumar há muitos anos. Tantos que já lhe perdi a conta. Por vezes, penso nos terríveis cancros que dormem escondidos nos meus pulmões e que não acordam porque eu não os deixo. Procuro o isqueiro no bolso do casaco que me cobre porque as noites começam a ser frias nesta cidade de interior que não largo. Não por amor, mas por comodismo. Habituei-me a viver num sítio onde conheço todos e todos me conhecem, onde não me perco porque não me deixo perder.
Remexo o bolso do casaco à procura de lume, do isqueiro que me ofereceste num dia patético qualquer em que te lembraste de me deixar uma marca física da tua presença na minha vida. Acendo o cigarro e delicio-me com a chama vermelha a queimar os milhões de compostos.
Olho mais uma vez para os prédios lá no fundo da rua. Vejo uma luz a acender e depois a apagar. Imagino e fantasio com quem viverá nessa casa, o que estará agora a fazer, porque terá acendido a luz. Imagino e fantasio que é um casal, ele e ela. Que ele foi fazer um chá para os dois e que se dirigiu à cozinha onde acendeu a luz e preparou o chá, apagando a luz de seguida. Depois deve ter-se dirigido ao quarto e bebido o chá enquanto conversa sobre as suas preocupações laborais ao mesmo tempo que tenta convencê-la a dar-lhe um pouco de “diversão”. Ela bebe o chá, enquanto pensa que está saturada da mesma vida medíocre de todos os dias e que já se fartou do mesmo homem para o qual tem de olhar todas as noites.
E continuo a imaginar mil histórias de mil pessoas que nem eu sei se existem. Enquanto imagino tudo isto fumo o meu cigarro e penso se estará alguém num desses mesmos prédios lá ao fundo da rua a imaginar a vida daquele ser que fuma um cigarro à janela, eu.
Imagino-me numa cidade grande onde ninguém repara se estou ou não à janela e onde passa muita vida mesmo a estas horas da noite. Imagino-me a morar numa capital europeia fria e triste como esta cidade, mas com mais pessoas e mais coisas para imaginar.
Enquanto imagino estas coisas, olho para os candeeiros que cortam a escuridão da noite e vejo-te encostado a um deles, parado aí no passeio do outro lado da rua. Estás a fumar um cigarro igual aos meus e encostaste ao candeeiro tal como eu me encostava a ti. Estás a olhar para a minha janela e consequentemente para mim. Sorris com esse ar cínico de quem quer ser descoberto e já permaneceu tempo demais na sombra.
Deves estar a imaginar o que eu estaria a imaginar anteriormente. Sabes que tenho a mania de olhar para alguém e construir uma história à volta. Não preciso de texto nem pretexto. Basta-me uma mirada, um olhar e captar os sentimentos que esvoaçam à volta desse ser. Conheces-me demasiado bem para saberes que é algo que não consigo evitar. Faço-o inconscientemente, em voz alta ou baixa construo várias histórias que vou modificando à medida que tenho oportunidade de lhe introduzir alguns pormenores.
É esse exercício que faço agora, enquanto olho para ti, aí do outro lado da rua. Construo a história que te trouxe de novo até mim e penso no final que quero dar-lhe desta vez. Invento acontecimentos passados e percursos que terás feito para regressares até aqui, não preciso que mos contes. Conheço-te demasiado bem, para saber que não são apenas fruto da minha imaginação. Mas isso não me preocupa. O problema é que bloqueei quando tentei dar um final a esta história.
A minha imaginação parou e não sei o que inventar. Tenho muito medo da realidade para deixar que seja esta a terminar uma história para a qual eu já deveria ter inventado um final.

Estou farta...


Estou farta de paixões bonitas, de amores felizes e de namorados com a mania que olham para os outros, e por outros entenda-se aqueles que passeiam sós sem a companhia de outro ser humano (mas atenção, ser humano não necessariamente pessoa) com o seu ar de superiores.
Estou farta de esperanças ilusórias e fantasias heróicas em que tudo muda com um simples gesto, em que o ontem, o hoje e o amanhã serão uma sucessão de horas e não de dias.
Estou farta de sonhos, cor-de-rosa, amarelos, azuis, verdes ou que raio de cor seja. De sonhos que não levam a lugar nenhum porque não passam disso mesmo, sonhos.
Estou farta de romance, de amor e de histórias da carochinha, em que ele vem e arrasa tudo. Ilusões há muitas, cada um/a cria as que mais jeito lhe dão.
Estou farta de quadros, de quadras, de palavras bonitas arranjadas de forma cruel. Não acredito na beleza, pelo menos não naquela que não nasce do amor.
Estou farta de boas intenções, vontades e caridade humana. O Mundo é uma constante troca comercial em que cada um dá, na medida do que tem e do que pode receber em troca. Eu própria, só dou estas palavras e pensamentos com o fim de troca. De que leiam e comentem.
Estou farta da normalidade, da vontade do igual, da cópia e do semelhante. Caí numa rotina estúpida que me cabe a mim suicidar. Tentei encaixar-me num espaço que não foi feito há minha medida, não caibo em qualquer sítio. Sou demasiado espaçosa e absorvente.
Estou farta de lamentos, de choros, de resmunguices, de choques. São coisas que não levam a lado nenhum e começam a ter o dom de me provocar uma terrível irritação díficil de controlar.
Estou farta de olhares melados, de gestos patéticos e declarações ridículas. Tornei-me cínica mais uma vez.
Cínica não, crua.

Prefiro não te ter...



Descalças os chinelos e entras de mansinho debaixo dos lençóis que comprei quando ainda andava na faculdade a estudar. Entras sorrateiro e chegas-te a mim, sempre de forma suave porque não me queres acordar.
O que não sabes é que ainda não adormeci. Estava a espera de ouvir os teus passos a caminho do quarto. Gosto da tua mania de tacteares o tapete do quarto depois de descalçares os chinelos. Sei que vais fazer círculos com os dedos dos pés só para activares a circulação e quando entrares na cama aqueceres os meus pés que estão sempre gelados.
Não consigo adormecer sem o teu abraço. Sem que me agarres e me digas que me amas e que só consegues dormir quando estou ao teu lado. Se calhar é por isso que te deixo dormires cá em casa tantas vezes. Vezes a mais, de vez em quando.
Sei o quanto gostas de dormir aqui, mas acho que tu não entendes que também preciso de ter a cama só para mim. Preciso de dormir sozinha, para sentir quanto a cama é grande só para mim. Preciso de adormecer na solidão, para organizar os pensamentos e poder sentir a tua falta de vez em quando.
Mas acho que não sabes isso. Tens tanto amor que me sufocas. Às vezes acho que vou ganhar guelras só para poder respirar quando tu não deixas. Às vezes prefiro não te ter a ter de abdicar de mim mesma.
Apesar disso, quando estás cá não adormeço sem que venhas para ao pé de mim. Gosto de te mexer no cabelo, de te beijar, de falar de mil e uma coisas que me vou lembrando antes de adormecer. Gosto que me abraces, que me aqueças os pés e me massajes as mãos. Gosto de ver os teus olhos a fechar tamanho é o cansaço que trazes acumulado nestes anos todos de vida, em que não dormes com todos os pesadelos que tens.
Gosto de te ter aqui. Mas não sempre. Até percebo que às vezes seja uma necessidade, mas vais ter de aprender a aceitar o meu espaço. Não consigo arranjar uma gaveta para pores as tuas coisas. Não me apetece abdicar do meu espaço só para te deixar entrar na minha vida.
Prefiro não te ter a ter de abdicar de mim mesma…

Ainda antes do ano acabar, estou apostada em:

Ir a Serralves ver a exposição do  Mapplethorpe .  Atravessar o rio de barco. Visitar a Sinagoga do Porto. Preparar uma supresa para a f...