Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

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Quando nasci era a bebé do 3º Direito. Era a bebé mais linda, esticadinha e com os olhos mais azuis de todo o prédio que habitava o 3º Direito do número 24 de uma rua da qual já me lembro mal do nome.

Fui muito tempo antes disso, a bebé da cama 14. Mas como a cama não tem andar, só achei digno de registo o 3º Direito. Passar um mês na maternidade não dá estatuto a ninguém!

Depois disso e a partir dos 5 anos fui a neta adorada no número 23 de uma Rua com nome de miséria. Apesar disso guardo boas memórias sempre que vivia nesse número por um fim-de-semana, umas férias de Verão ou algum feriado.

Aos 7 anos passei a ser menina do 1ºA dum prédio que era o Bloco B. Bloco esse que ficava no meio de um praceta com nome de Quinta. Habituei-me a isso durante cerca de 10 anos da vida.

Mas como tudo muda, mudei eu também. Primeiro para o 2º Esquerdo do Bloco 3 duma Rua com nome de Alferes e pouco tempo depois para o 3º Andar de uma residência de Estudantes onde dividi andares, quartos, mágoas e saudades sempre à mistura com muitos risos, lágrimas e alguns cigarros pelo meio.

Farta da divisão das coisas habitei o 4º Andar dum prédio com jardim. Coisa inédita e só possível numa cidade que cresce nas encontas inclinadas ao lados de edifícios pré 25 de Abril.

Como parar é morrer, decidi regressar ao 3º Direito, deste vez do número 23 de uma Rua do Hemisfério Sul. Mesmo andar, número ao lado e estamos na infância outra vez!

Pelo meio dessa saudável habit(u)ação, fui novamente a miúda da camera quatordici, que é como quem diz o quarto 14 dum número que não me lembro qual, mas da Via Roma numa cidade Italiana. O 14 é definitivamente o meu número de cama!

Findo esse ciclo, vou de malas e bagagens para 4º Direito do antigo número de emergência médica, na Rua de um pintor português de que poucos terão ouvido falar. Permaneço dois infidáveis anos dos quais ainda assim guardo saudades. Terá sido porventura e apesar disso, dos melhores anos de vida numa casa.

Memórias à parte, vivo neste momento no 1º Andar, novamente do número 23 de uma Avenida de Lisboa.

Nunca vivi tão baixo nestes quase 25 anos de existência, exceptuando a moradia da minha avó! Também nunca vivi tão no coração de uma cidade tão grande.

Mas a triste conclusão é que ainda não encontrei o meu pequeno T2 onde podemos morar os dois...



8 Coisas 100 Sentido:

Jota p\ extenso disse...

Grande post.
Toda a gente devia contar a sua história, à sua própria maneira.
Gostei de ler esta, só duvido que não saibas realmente o nome da tua primeira rua. De certeza que o tens guardado algures.

Euqrop disse...

Nunca vi algo que não dissesse nada,
Tão são cheio de sentimento
mas tão vazio de conteúdo

Maria Manuela disse...

Bem és uma pro em mudanças ....

:)

CAP CRÉUS disse...

Está giro este texto.
Muito boa postadela!

Girstie disse...

E face a isto digo eu: vivo na minha segunda casa, desde os 3 anos de idade.

Isso é que foi andar de um lado para o outro!!!!

E espero que só o andar seja baixo, mas a moral não ande em baixo!

beijos

Sem sono como sempre disse...

Pois este foi um dos post mais giros que li.

Beijos

eremita disse...

Andas a fugir às Finanças? ;)

Gostei*

Glamourous Girl disse...

Adorei.