O meu coração diz Au

São 79. O número de protões que guardo no coração. Não quero mais, ok? Não me faz falta o capacete com asas nem tão pouco quero ser vulnerável a variações de temperatura. Por vezes tentas convencer-me a abrir mão de um protão, só um. Não queres antes os 2 electrões que tenho para dar? Sabes que todo o meu corpo é teu. Podes usar o meu carbono para o que quiseres. Sei que nas tuas mãos posso chegar a diamante. Mas de facto não quero ser nenhum outro metal de transição. Poderia considerar apenas uma excepção para os fios do teu cabelo, que me conduzem a electricidade. Só teria de saltar 2 vezes para cima na tabela periódica e chegaria até ao cobre. Temos todos a mesma valência, não te preocupes. Saberei sempre o caminho de volta. Talvez queiras o tal protão porque é o defeito que mais te faz reagir, e como o fruto proibido é  sempre o mais apetecido, a platina acorda-te o brilho dos olhos. Essa prata que não o é. Não sei o que vês nela. E por falar em prata. Agradar-te-ia se desse apenas um pulo pequenino? Talvez se me sentisses mais leve e solta, me agarrasses com mais força. Queria que me puxasses para ti até sermos uma única molécula. Sei que nesse processo, deixaremos algo de nós para trás, mas valerá de certo a pena. Descobriremos que são excedentes e não fazem falta, porque atingiremos uma configuração mais estável. Quero ligações covalentes entre nós. Quero-o desde que descobrimos a química da troca de olhares e do roçar de dedos. Não é loucura, é alotropia. 


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