Gatos-Peixe


O artigo resumido foi publicado no Trend Alert no Sábado.

Mas a história era tão bonita que eu tinha de a escrever toda aqui. O que se segue são as palavras da própria Francisca. Espero que gostem tanto como eu!


"O Atum apareceu na minha vida no dia 4 de Dezembro de 2002. Um amigo tinha-me dito que andavam uns gatos abandonados junto do rio [em Coimbra] e que me ia trazer um. Eu, que tinha acabado de arrendar a minha primeira casa, e não queria nada que me prendesse. disse-lhe que não queria gato nenhum! Um dia ele chegou junto de mim com uma caixa de um pai natal electrónico e ainda eu estava a pensar que era uma estupidez gastar dinheiro num brinquedo daqueles, quando me apercebi que a caixa tinha buracos e desconfiei que seria “o tal gato”… O meu amigo advertiu-me que não abrisse a caixa porque o gato era muito mau! E eu, para além de não querer um gato e ter um em braços, ainda tinha um gato mau do qual já tinha medo…
Ainda que eu insistisse que não queria ficar com ele, disse que ele se iria chamar Atum! [isto foi logo nos primeiros minutos após o choque]
Na altura eu fazia parte do Jornal Universitário de Coimbra e foi para lá que me dirigi com a caixa ainda fechada pedindo auxilio aos meus amigos. Expliquei-lhes que estava ali um gato muito mau e que teríamos de ter cuidado com ele para o tirar da caixa. Um grupo de pessoa cercou a caixa, abriu-a e o pequenino Atum ficou muito assustado no fundo da caixa, sendo preciso por lá a mão para o tirar… Que fera!... De imediato arranjamos-lhe leite e alguns agasalhos e ele passou as primeiras horas na secção de jornalismo. Levámo-lo ao veterinário que fica na praça da república [junto à secção de jornalismo] e o veterinário deu-lhe as primeiras vacinas e disse-nos que ele tinha 2 meses! Como 2 meses antes tinha sido o dia 4 de Outubro, dia do animal, achei perfeito festejar-se o seu aniversário nesta data!
Levei-o para casa comigo, mas com a missão de lhe arranjar um dono. Comprei-lhe comida, areia, uma taça, um caixote…
Nos primeiros dias o Atum escondia-se nos sítios mais improváveis e fisicamente impossíveis… Mas aos poucos foi ganhando confiança [e fome] e foi-se aproximando de mim! Até que me começou a acordar com patadas e mordidelas na cara às 6 e 7 da manhã… Uma semana depois, eu disse que já não queria arranjar nenhum dono para ele, que ele ficaria comigo!
Como eu achava que ele devia ter um segundo nome e como eu gostava [e gosto] da palavra Bisnaga, ficou Atum Bisnaga!
O Atum ia todos os dias comigo para a secção de jornalismo e lá passava as noites entre jornais e colos! Eu levava-o, a pé, no carapuço de um casaco de pelo e ele ia lá a dormir sossegadinho. Quando começou a crescer, comprei uma mochila de gatos e levava-o de mota comigo!
Ele era um bocado a mascote da secção de jornalismo. E conhecido pela associação académica! Toda a gente o conhecia de o ver passar – ou no meu carapuço, ou na minha mochila.
Como eu o levava comigo para todo o lado ele acabou por passar também algum tempo na Rádio Universidade de Coimbra, onde, para além de acarinhado, chegou a posar com alguns músicos que iam lá tocar!
Um dia também o levei a uma conferência com o Rui Zink, para eles tirarem uma fotografia juntos [sou fã do Zink!].
Pouquíssimo tempo depois de ter o Atum, mudei de casa. Fui viver num estúdio com uma enorme janela. Nos primeiros dias o Atum caiu desse estúdio que ficava num terceiro andar… Felizmente não partiu nada, ficou só dorido… [e muito sossegado durante um par de dias]. A partir daí aprendeu que podia cair e passava os dias à janela, quando eu não estava em casa. Toda a gente se metia com ele e era conhecido pela vizinhança!
Fomos algumas vezes a lisboa, mas ele portava-se muito mal no carro… conseguia sempre fugir e vinha para cima do tablier e para o meu colo e começou a ser perigoso…
Uma vez fiz um inter-rail e durante um mês o Atum ficou em casa dos meus pais, no quarto da minha irmã – porque os meus pais têm cães. Apanhou o susto da sua vida. Os cães conseguiram entrar no quarto da minha irmã, cercaram-no debaixo de uma cadeira e foi a minha irmã que o tirou de lá. Como agradecimento, ele arranhou-lhe as mãos todas… Foi o pânico, coitadinho…
Junto à nossa casa ficava o Jardim da Sereia. Onde costumávamos ir passear. Eu levava-o na mochila e soltava-o no jardim. Passeávamos um bocado – ele andava sempre atrás de mim e depois eu sentava-me a ler e ele andava à minha volta. Foi nesta altura que apanhei o maior susto da minha vida com o Atum. Enquanto brincava enfiou-se numa conduta das antigas de água [era verão e estava tudo seco], fui atrás dele, mas já não o vi… Tentei perceber onde as condutas iam dar para o esperar no fim, mas ele não aparecia… comecei a entrar em pânico… liguei aos meus pais, irmãos e amigos e aos bombeiros e até anoitecer todos procurámos o Atum que nunca apareceu… alguns estranhos também nos ajudaram a procurá-lo… Os bombeiros abriram as condutas, espreitaram com lanternas, mas nunca o encontraram… nós corremos o jardim todo a chamá-lo, mas ele nunca apareceu… Espalhámos comida por todo o lado, para o caso dele ter fome… De noite convenceram-me a ir para casa… mas eu fiquei com receio que o Atum tivesse ficado preso num poço onde as condutas se encontravam. Pedi um pé de cabra e mal houve luz fui ao Jardim, parti a pedra para ver dentro do poço, mas não havia sinal do Atum… Mais uma vez o procurámos durante todo o dia… eu sentia-me muito cansada, porque não conseguia dormir… foi então que decidi fazer um cartaz com a fotografia dele a oferecer uma recompensa a quem o encontrasse. Espalhei em toda a volta dezenas de cartazes em postes e árvores. Depois caí de cansaço e consegui dormir um pouco. Acordei era 1 da manhã e pedi a um amigo meu que fosse comigo dar mais uma volta. Levei a minha mota para ter luz e lá fui eu tentar procurar o Atum. Que apareceu num muro. Sem emitir um único som e apenas de olhos muito abertos a olhar para mim. Abracei-o! Enfiei-o dentro do met-in da mota com medo que ele fugisse outra vez. levei-o para casa e nunca mais o levei comigo para lado nenhum!
Durante 5 anos vivemos juntos sozinhos. Com muitos amigos a passarem diariamente lá por casa. Mas sempre juntos. O Atum sempre teve uma personalidade muito forte e sempre foi bastante claro as pessoas de quem mais gostava. Não é toda a gente que tem o privilégio de lhe fazer festas!
Eu gostava muito de fotografia. depois de ter o Atum estudei fotografia. O Atum foi habituado desde sempre a ter uma objectiva apontada a si! Encarou sempre isso com normalidade e a certa altura começou mesmo a posar para as fotos [isto é verídico! E já várias pessoa foram testemunhas. Ele fica estático e só quando eu afasto a máquina é que se mexe.]
Eu já costumava colocar algumas fotos do Atum no meu blog pessoal, mas a certa altura conjugaram-se 3 factores: tinha muitas fotografias dele que adorava. Os blogs estavam na moda. Alguns amigos estavam fora de Coimbra e não viam todos os dias o Atum.
Quando criei o blog do Atum ainda não conhecia nenhum blog de animais. Provavelmente existiriam, mas não eram muito divulgados.
O blog do Atum começou discreto, mas houve uma altura em que tinha mais de uma centena de visitantes diários!
Hoje em dia, com a proliferação de redes sociais o blog tem muito menos visitas. Mas há um grupo de pessoas que comenta com regularidade. Por estas pessoas e por outras que sei que, mesmo não comentando, visitam regularmente os blogs, comecei a colocar todas as madrugadas de domingo para segunda uma fotografia nova no blog de todos os gatos! É uma forma de, quem realmente gosta deles, começar bem a semana!
Uma vez o blog do Atum foi “blog do dia” numa rubrica do Diário de Notícias. Não estou a encontrar em formato digital o artigo, mas se achares importante posso-te fazer um scan!
Com o Atum há imensas histórias engraçadas… desde estar em esplanadas e estarem pessoas a falarem sobre ele… de amigos meus encontrarem fãs em vários pontos do país… de pessoas que me enviaram prendas para ele ou fizeram homenagens em blogs… de pessoas me tratarem como se eu fosse uma celebridade dizendo quase escandalizadas “Tu é que és a dona do Atum??!”.

A história da Sardinha é mais simples [e um pouco triste – mas só no início].
Quando o Atum tinha quase 5 anos eu comprei um T2. Nessa altura chegou-me um e-mail a pedir ajuda para encontrar um dono para a Neve. Uma gata surda que tinha cerca de 3 anos e tinha sido abandonada à morte num terreno dentro de um saco fechado com os filhos… Os filhos salvaram-se e arranjaram dono. Mas não estavam a conseguir encontrar dono para ela por ela ser surda… Se a história me chocou – como tantas outras – ao ver a imagem da Neve tão bonita e tão parecida com o Atum fiquei muito emocionada e pensei que já que me ia mudar para um T2 teria condições para ter mais um gatinho e assim salvar aquela pobre gata. Prontifiquei-me a ficar com ela.
Já que ela era Surda – e não estava assim habituada a nenhum nome – para ser mais coerente decidi de imediato que se chamaria Sardinha! [o Niska veio como trocadilho, porque me chamavam Francisca Sardanisca quando eu andava na escola primária]
Por coincidência foi no dia 4 de Outubro que ficou combinado ir busca-la. Desloquei-me com uma amiga ao Porto e trouxemo-la para Coimbra. Nesse dia o Atum comemorava o seu 5º aniversário e detestou a surpresa! :)
Durante muito tempo o Atum sentiu-se revoltadíssimo com a presença da Sardinha que mal chegou, parecia que tinha ali vivido a vida toda de tão à vontade que estava. O Atum bufava imenso à Sardinha, como ela é surda, passava-lhe ao lado! Mas isso enfurecia ainda mais o Atum! No início foi complicado, mas aos poucos foram-se habituando. Nos primeiros dias a Sardinha também caiu exactamente da mesma janela que o Atum tinha caído uns anos antes. Mas teve mais azar, porque partiu um dente e magoou-se no queixo… Curiosamente os vizinhos ficaram muito aflitos quando me viram passar com o Atum de urgência para o veterinário. Eu na altura eu nem me dei ao trabalho de explicar que aquele não era o Atum!
[ainda hoje muita gente os confunde]
Passado uns dias mudámos para o meu T2 e como era uma experiência nova para ambos, acabaram por se começar a dar bem! [não são os melhores amigos do mundo, mas dão-se bem!]
A Sardinha foi, desde sempre, MUITO meiga e muito dada! Vai para o colo de toda a gente. Roça-se em toda a gente. Seja a minha mãe, ou seja o carteiro…
Mia MUITO alto… Muito alto mesmo… às vezes a meio da noite ainda tenho de a ir calar para ela não acordar o prédio todo…
O blog da Sardinha surgiu por toda a gente me acusar de discriminação por ter um blog para o Atum e não ter um para a Sardinha. No início colocava fotos dos 2 no do Atum, mas acabei por ceder e criar um só para ela! A Sardinha, não sendo tão bom modelo como o Atum, tem muito boas poses! Especialmente quando está a dormir! :)


Pouco tempo depois de me mudar para o T2 comecei a namorar com aquele que é agora o meu marido. O António também gosta muito de gatos e o Atum aceitou-o muito bem! [A Sardinha nem se punha em causa, porque até o Passos Coelho aquela tonta aceitaria bem…]

Agora vivemos num T4 com sótão, um enorme terraço e 2 varandas. É aí que entram o Carapau e a Lula. Mas isso já são outras histórias! :)".



Comentários

Oh pá... isto está um bocado foleiro, porque eu escrevi à pressa...

Eu pensava que isto iria ser como os programas de televisão, que eles entrevistam durante 5h, mas depois editam e só vai para o ar os 5m que interessam! :p

Mas pronto... de uma forma muito atabalhoada é esta a história deles! :)

Um obrigada à Ana!

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