Há precisamente um ano atrás.

O acontecimento mais avassalador de sempre, mudou-me a vida ad eternum.

Sei desde aí que nunca mais serei a mesma e a parte de mim que morreu não poderá nunca ser restaurada seja sob que pretexto for.

A alta foi dada a uma doente que nunca reconheceu sê-lo e não permitiu em tempo algum que alguém soubesse da sua condição.

A capa só caiu no momento exacto, nem um um segundo antes ou depois. E apenas perante um número reduzido de espectadores que foi sendo alargado à medida que a recuperação foi ocorrendo e os efeitos terapêuticos foram sinais visíveis de uma quase cura.

Vivo com a certeza inabalável que será impossível recuperar o que quer que seja que se perdeu. Mas sei também que a minha vida não acabou aqui e ela continua por mais ingrato, estúpido ou desprovido de sentido que tal me possa parecer. Ou por mais contrário à minha vontade na existência dos dias que se seguiram.

Demorei precisamente um ano a ser capaz de escrever o que quer que fosse que lhe dissesse respeito. Mas a cura implica a total aceitação do caso. E eu carrego em mim a certeza inexorável que de nada poderia ter sido de outra maneira.

Acho quase inacreditável o que o tempo nos faz.

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