Chama-me apenas Ana.

Nasci com nome de Rita sem ninguém saber porquê ou sem que alguém o tenha escolhido para mim. Acabei a ser Isabel, porque soava a nome de rainha, coisa típica nos anos 80 onde se insere a melhor casta deste país e onde obviamente o meu nascimento aconteceu.

Sempre odiei diminutivos e coisas acabadas em "inha" que soam sempre a uma fofinha falsificada com ares de boneca chinesa mal traduzida para língua ocidental.

Como substítutos mal amanhados da coisa, fui digna de todos os epítetos possíveis aos 15 e 16 anos em que o primeiro amor será eterno enquanto dure. Coisas como amorzinho, fofinha, bijou e outros afins que na altura me derretiam daqui até à Lua hoje soam apenas a ridículo, como convém quando já se passaram quase 2 décadas sobre o assunto.

Depois disso, a imaginação encontrou terreno fértil e passei por coisas ainda mais ou menos delicodoces como pipoca, pequenina,  Boo ou Boozinha. 

Ainda que aceitáveis, nunca foram de longe comparáveis ao melhor que me foi dado e que sempre me caracterizou na perfeição: fera. Associado aos olhos verdes que se enfureciam quando alguma coisa não me agradava, dava-me realmente um ar felino, que se desmoranava automaticamente quando a palavra era pronunciada naquele tom sensual que só os apaixonados embevecidos podem ter.

Nunca senti que nada me assentasse tão bem com essa, mas como tudo que existe um dia acaba, hoje só a oiço nos raros momentos em que os meus olhos verdes ainda te põem a vista em cima e te conseguem seduzir por fracções de segundos apenas, porque homens casados têm de ser fiéis.

Sempre odiei os diminutivos e só os permito por delicadeza ou cobardia de não querer assumir que um nome com 3 letras apenas soa altamente ridículo quando acompanhada de uma "inha(s)" ranhoso que nada acrescenta.

Assumi o meu nome, desde o primeiro momento em que pensei nisso e concluí que gostava dele. Percebi que me assenta na perfeição: curto, directo, simples e ainda por cima capícua, característica não apenas do nome mas também da pessoa.

Por isso hoje prefiro que me chamem por ele. Apenas Ana, sem vir acompanhado de nada mais.

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