Porque não? Porque sim? Porque posso.

"Somos as pontas de uma mesma fita 
e acordamos atados de manhã num
nó que ainda demora a desfazer. Ao 

levantar-me, arrasto-te comigo, mas 
no resto da vida é ao contrário - e eu 
nem me importo que me leves atrás 
se o laço for contigo, e apertado. Mas, 

quando calha, é mais comprida a fita; e 
eu - inquieta, sem saber onde estás - fico 
a contar os metros, aflita, e a magicar em 
franzidos e embaraços. Eis se não quando 

tu pareces amarrotado de cansaço e nos
meus braços logo te desfias. Vencido 
o susto, passa-se a fita a ferro - para 
se enredar de novo num nó cego que 
de manhã vai ser um custo desatar." 


Maria do Rosário Pedreira

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