[Texto extorquido das profundezas da minha alma.]

É apenas mais um dia em que abro uma página em branco e fico meia embasbacada sem saber bem o que escrever. 
Tenho a percepção e o sentimento de que a maioria das pessoas já disse aquilo que eu própria tenho para dizer e muito melhor, de melhor forma, com mais conteúdos e especialmente com mais sentimento à mistura, o que clarifica a mensagem por si mesma.
Aprendi a resumir os pensamentos em ideias curtas, claras e concisas. Foi assim que me ensinaram quando estudava esta coisa complexa da comunicação.
Sei que tenho facilidade em brincar com as palavras e compor textos com o meu toque pessoal. Mais não fosse por ter hoje superado a tarefa de entregar um artigo de 400 caracteres que escrevi em menos de 1h, para uma publicação nova e onde quero muito estar à altura do desafio e da tarefa de que me incumbiram.
Obviamente que gosto de ver o meu nome publicado em artigos impressos. Mentiria se dissesse que não. Mas é mais do que isso. Não é só o orgulho por saber que estou em mais umas quantas páginas e posso acrescentar mais umas quantas linhas ao currículo. É mais do que isso! É o preenchimento da própria alma espelhada em meia dúzia de linhas que não mudando a vida de ninguém, podem um dia inspirar alguém a mudar a sua própria vida.
Mas a verdade é que me habituei a resumir a vida, os acontecimentos e os pensamentos em meia dúzia de caracteres. Deixei as teias de seda terminológicas para aqueles que melhor o fazem. Não deixei de ser eu, mas perdi em muito a capacidade de me encantar com o que eu própria escrevo.
Ainda assim há uma regra, assim uma espécie de tradição, que mantenho sempre que preciso de extrair da alma pequenos pedaços de pensamentos e colocá-los por escrito.
Ponho a tocar uma música que me faz sonhar, e como é raro hoje em dia acrescentar músicas novas sob esta égide, abro uma garrafa de vinho, fumo o primeiro cigarro e começo a escrever.
A determinada altura da minha vida percebi que preciso disto. De completar este ritual para entrar numa espécie de transe dentro de mim mesma e conseguir extrair de mim própria aquilo que mais gosto de fazer. E que aparentemente sei fazer relativamente bem e com manifesta facilidade.
É assim também com os cigarros. Ainda que politicamente incorrecto não consigo deixar de referir os cigarros na parte da minha vida que é a escrita. A maioria do textos criativos que fui espalhando pela vida fora, sob os mais diversos suportes, incluem cigarros. Acho, por vezes, que tenho em mim esse cromossoma destrutivo que só nos permite extrair beleza da alma e das palavras enquanto de alguma forma nos destruimos a nós mesmos, aos poucos também.
Não sou escritora, jornalista ou sequer feiteiceira de palavras. Mas sou eternamente apaixonada pela escrita. A minha e a dos outros.

Comentários

Cat disse…
:) so sweet Ana! não tenho ritual, a não ser que consideres estar triste e escrever um ritual. não acho grande piada sou sincera! a coisa mais parecida que tenho com o teu "cigarro-vinho-etc" é mais quando estou ao volante. mas como não me convém ter um acidente, o pensamento fica sempre por lá. será que qualquer dia inventam uma máquina para ir buscar os pensamentos que deixamos perdidos por falta de sítio onde os apontar? isso é kiéraaaa!!! ;)

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