Da efemeridade da vida...

Vim fazer uma visita às Urgências por um problema menor mas que exige atenção. Ao meu lado está sentado um casal de velhotes na casa dos 70 anos, magros já, bastante encarquilhados e completamente inseparáveis.

Oiço um nome de mulher ser chamado e eles levantam-se para se dirigirem ao seu gabinete. Reparo neles com mais pormenor e vejo que o homem tem uma ligadura na cabeça que envolve o crânio por completo.

Não consigo evitar pensar na fragilidade humana. Ultimamente os velhotes fazem-me pensar na efemeridade da vida e no processo de envelhecimento em geral. Ter um filho mudou-me nesse aspecto, tornou a minha mortalidade mais real, mais presente e mostrou-me a sua inevitabilidade.

Mas ainda não me deu a certeza de que lá no fim não estarei sozinha. A única coisa que sei é que espero ter o homem comigo até lá.

Comentários

Ricardo Martins disse…
Lá estarei Baby, e veremos o sol nascer uma ultima vez numa casa em Nova Orleões... juntos - https://www.youtube.com/watch?v=5A-4VGfx5lU

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