Dia de Los Muertos.

Novembro é um mês sempre doce em todos os calendários da minha vida. É um mês pequeno e de véspera de uma celebração maior, no sítio onde hoje me encontro, mas é também um mês que começa com a maior celebração de todas: celebrar os (nossos) mortos. 

Comecei Novembro a celebrar precisamente isso, aqueles que me morreram, literal ou figurativamente falando. Aqueles que por motivos diferentes e vários se foram da minha vida e da minha alma, independentemente de terem deixado muito ou pouco de si. Aqueles que decidiram partir, os que a vida levou de mim e também aqueles a quem eu pedi para sairem porque já não tinham mais espaço aqui.

Novembro é um mês de finais felizes, de mudanças, de recomeços, de preparações e de celebrações. É um mês ímpar, no número e nos acontecimentos que traz. É o mês do 1+1 que não é igual a 2. É um mês de pensamentos, de sentimentos, de acolhimentos e de pressentimentos. É um mês doce e curto que obriga a uma pausa logo no seu início e que por isso nos permite perspectivar o que queremos que nos traga ainda antes que o ano acabe.

Novembro é o mês da minha avó. É aquele mês em que a sua presença aumenta e as memórias me assaltam ao ponto de me quererem fazer estar à altura da mulher que me criou e me moldou para ser quem sou hoje, contra todas as expectativas ou desilusões. É um mês que me obriga a repensar quem sou, para onde vou, o que quero e onde vou terminar. Será também por isso o mês que me ajuda a definir objectivos antes de o ano acabar para que possa chegar ao fim e dizer que cumpri aquilo a que me proprus e que criei memórias boas para o ano que passou.

Novembro é um mês que pede chá, mantas, essências, incenso e velas acesas e espalhadas pela casa em todos os dias do almanaque. Novembro pede cafuné, carinho, conchinha, carícias, calor e suor. E por isso a Novembro damos tudo o que ele nos pede na esperança de recebermos o dobro em troca, como a lei da vida sempre nos ensinou que faz.

Novembro veio para dar, tirar, cobrar, terminar, acabar, recomeçar, fazer andar, disponibilizar, sonhar, actuar, guerrear e apreciar. Em suma, Novembro veio para nos revolucionar. Porque este foi o ano das revoluções e não podemos terminá-lo sem a maior revolução de todas. A nossa.

Comentários

Anónimo disse…
O dia 1 é dia de todos os Santos. O dia dos fiéis defuntos só é no dia 2.
Ana I. Azevedo disse…
Caro Anónimo,
No México as comemorações do Dia dos Mortos começam a 31 de Outubro e vão até 2 de Novembro.
Mas já que vivemos em democracia, cada um comemora o que quiser, quando quiser.

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