High Maintenance:

Tenho a liberdade inscrita no ADN ali num gene mesmo colado ao que me deu cabelos castanhos e olhos verdes.
Cresci a correr em searas de trigo, perdida em milheirais e com banhos tomados no riacho da terra onde vivia a minha avó.
Habituei-me a pedalar a minha bicicleta pela antiga linha do comboio, onde viajei em pequena de mão dada com o meu pai, com os cabelos rebeldes ao vento e sem mãos no guiador. 
Rebolei nas sombras das árvores com diferentes namorados de adolescência sempre que me apeteceu e a oportunidade o permitia.
Tomei incontáveis banhos de mangueira nas tardes quentes de Verão, depois de surrupiar uvas, figos e pêssegos das árvores vizinhas por onde passava.
Acordei muitas vezes de madrugada para ir ver o sol nascer naquele sítio só meu que nunca contei a ninguém, porque a minha ligação com os espíritos do mundo é sempre maior quando a luz rompe a escuridão.
Andava de pernas e barriga à mostra sempre que começava o calor. E nada me sabe tão bem como dormir nua ou deixar que o meu corpo seja apreciado por alguém conhecedor.
Conduzi todos os carros que tive oportunidade, sempre de vidros abertos e a velocidade acima do permitido, com música uns quantos decibéis acima do recomendado.
Entrar num avião ou num barco é o expoente máximo de contacto comigo mesma e a água a minha eterna atracção. 
Faço amigos com todos os estranhos que gostem de conversar e se fascinem pelos mistérios do mundo. 
Privilegio a liberdade acima de qualquer valor.

Sou o tipo de mulher que não se prende, que tem de se apaixonar para querer ficar.

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