Ando já há algus dias a tentar escrever sobre este assunto e a coisa não está fácil. São muitas ideias que é preciso organizar de forma a que me entendam e que me entanda a mim própria. E além disso têm de fazer sentido, senão não estariam aqui neste blog e andariam perdidas noutro blog qualquer.Esta ideia surgiu-me num dia à noite antes de adormecer, num daqueles momentos filosóficos que me dão antes do meu cérebro parar por completo e entrar naquela espécie de coma que é o meu sono. Num desses momentos surge-me a ideia de que o que leva as pessoas a escreverem num blog é muitas vezes o desabafo, senão na maioria dos casos, pelos menos em metade deles.
Ou seja, as pessoas criam um ou dois ou três ou muitos mais blogs porque precisam de falar sobre determinados assuntos, precisam de desabafar coisas que acabam por não poder contar a mais ninguém.
E criam vários blogs pela simples de razão de que cada um deles tem um estilo próprio que se vai definindo e que ao fim de algum tempo é preciso manter. Afinal de contas, já angariámos um número de leitores que é preciso não desiludir. E como nos apetece falar de outras coisas, temos de arranjar um novo espeço onde essas coisas se encaixem.
Em cada blog que criamos vamos construíndo uma personalidade nossa, que cada leitor vai agregando em pequenas partes até que crie um ideia sobre quem somos. E nós vamos espelhando nesse blog aquilo que somos ou gostaríamos de ser.
Em cada blog construímos uma pessoa, um ser humano, uma personalidade específicos. Em cada blog damos um pouco de nós. Mas não somos os mesmos em todos os blogs que construímos. Excepção feita aos blogs conjuntos sobre os quais ainda não me debrucei convenientemente. Ou seja, ainda não entrei em coma letárgico de sono a pensar nisso.
Melhor dizendo, os blogs tornaram-se nos heterónimos dos tempos modernos.
Quando pensava em Fernando Pessoa e na sua loucura insana de criar 300 e tal heterónimos, todos com nome, data e local de nascimento, perfil astrológico traçado e etc e tal achava que o Sr. era louco. Não é que não continue a achar, mas agora volto-me mais para o conceito de génio. Ah! E sim, ele fazia o perfil astrológico de todos eles. Era um grande adepto da astrologia.
E eu penso: E nós, não fazemos o mesmo, mas de forma menos minuciosa e cuidada? Não criamos um personagem específico que encarnamos em cada blog que escrevemos? Seremos sempre e a mesma pessoa em todos os blogs?
Se a resposta for sim, fico ainda mais preocupada. Porque aí tenho a dizer que então seremos todos bipolares. Pessoas com dupla e tripla e quádrupla personalidade. Aliás, seremos todos bipolares, tripolares, quadripolares e por aí fora.
Eu própria, aderi ao fascíno da blogosfera e criei mais do que um. Não porque tenha dupla ou tripla personalidade, mas porque como diz a plataforma concorrente, "Porque um não chega!".
Porque apenas num blog não exprimo tudo o que quero. Porque quis manter o anonimato nas palavras e isso deixou de ser possível. Porque criei uma imagem num blog que se foi revelando impossível de manter. Porque simplesmente me deu a loucura (pena que não de forma genial como ao Nandinho, vulgo, Fernando Pessoa) e fui criando, sem me aperceber vários heterónimos de mim mesma.