Já não é a primeira vez, e não será certamente a última, que me apraz dissertar sobre os inquéritos que o SAPO tem na sua página inicial sempre que a espreito pelas mil e uma razões que me fazem lá ir.
Há cada um mais desinteressante do que outro, mas ainda assim não evito a espreitá-los pois são sempre informações preciosas para o maravilhoso manancial de dados que recolho até ao dia em que resolver falar disso.
Mas hoje vamos apenas limitar-nos ao inquérito que está lá e que diz: "A taxa de desemprego subiu para 10,4%. Sente-se preocupado(a)?"
Ao que a maioria das pessoas (81%) até à hora em que escrevo este post diz "Sim. O aumento é alarmante."
Ora que esta simples análise de dados é deveras interessante do ponto de vista sociológico que é aquele que eu uso sempre, não fosse eu uma mulher das ciências sociais e humanas.
Não tecendo considerações nenhumas acerca da caracterização do público que responde a isto, apenas gostaria de referir que a maioria das pessoas é muito leiga em matéria de apoios sociais e economia.
O desemprego está a aumentar? Indescutível, os números falam por si.
A grande velocidade? Não diria tanto. Está a ser rápido, mas aqui temos outros factores a analisar.
A situação é alarmante? Não entremos em histerimos despropositados, minha gente.
Eu estou a desvalorizar a situação porque estou bem sentadinha na minha secretária a falar sobre o assunto? Não, de todo! O meu contrato acaba daqui a cerca de 1 ano e eu penso em mudar de emprego antes disso. E preocupa-me que não o possa fazer dada a situação do país. E ainda assim tenho a idade considerada ideal para arranjar emprego. E as qualificações também.
O motivo porque eu acho que não vale a pena considerarmos a situação alarmante é porque certamente grande parte da população (diria cerca de 81%) não saberá que não são contabilizadas como desempregadas, pessoas que estejam a frequentar ofertas formativas integradas nesse belo Programa que são as Novas Oportunidades.
Passo a explicar: O Governo criou essa Iniciativa Novas Oportunidades com o objectivo de reduzir os défices de educação e formação da população portuguesa. (Se quiserem perceber o motivo disto um dia também posso explicá-lo aqui!)
Ora alguém que esteja desempregado e que se proponha frequentar um Curso de Educação e Formação de Adultos com equivalência ao 9º ou 12º ano, deixará de contar para as estatísticas de desemprego do IEFP porque está indisponível para aceitar trabalhos. (Não tenho a certeza ser esta a terminologia intrincada usada pelo dito organismo, mas na prática quer dizer o mesmo).
O que acontece neste momento é que muitos dos Cursos EFA que estavam a ser leccionados terminaram, uma vez que a 1ª fase do POPH - programa Operacional de Potencial Humano e QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional também estão a terminar e com eles parte dos milhões dados pela União Europeia para a formação.
Assim, aqueles que sempre estiveram desempregados mas na altura não entravam na estatísticas estão apenas a retomar a sua situação, (mas agora com mais qualificações, atenção!) e a fazer engrossar o número do desemprego em Portugal.
A minha pergunta é: Não terá o Governo previsto tal situação ou tem mais alguma Iniciativa brilhante na manga?
Aguardo futuros desenvolvimentos da situação. E até lá vou dissertando internamente sobre estes questionários maravilhosos com que o Sapo me brinda todos os dias!!!
*"Eu não percebo puto disto, mas adoro falar sobre o tema!" Podia ser o título alternativo deste post...
















