Diário de Uma Quarentena #250302020


Acho que finalmente já acertei uma rotina que funciona comigo e com a criança em casa. Acordamos pelas 8h30 habitualmente, eu saio da cama pelas 9h e preparo o nosso pequeno-almoço. Depois disso arrumo a casa e visto-nos como se fossemos sair. E todos os dias ele diz que não quer ir para a rua. É a minha bênção deste tempo!

A manhã dele é passada a brincar na sala onde há toda uma tenda de brinquedos montada. Já eu, pratico yoga no quarto algures entre as 10h e as 11h e costumo trabalhar nas tarefas de maior foco até às 12h30. Por essa hora levanto-me do PC e preparo o nosso almoço. Hoje fiz caril de gambas para mim e rissóis no forno para ele que vão ser também o meu jantar.

Depois do almoço entra a rotina da sesta e geralmente passo 1h na varanda a ler um capítulo de um livro e apanhar banhos de sol enquanto oiço música e penso na vida. Em dia de sorte tenho o vizinho jeitoso do andar de baixo só de boxers a fazer o mesmo na varanda dele! Hoje foi dia de azar...

Pelas 15h geralmente tenho uma reunião online, seja trabalho, aprendizagem ou momento social. Costumo ler alguns artigos online apenas de fontes fidedignas e faço algumas tarefas mais práticas em casa que não sejam só ao computador. Hoje estive num webinar sobre isolamento com um senhor que passou 20 anos na prisão a falar da importância de alguns gestos na nossa rotina e da filosofia como arma de combate ao que estamos a viver. 

Geralmente fecho pelas 17h30 e entro num momento de brincadeira com o meu filho até ser hora do banho ou do jantar. Ele à noite come pouco e fica com a sopa e a fruta acompanhada de um mimo que pode se gelatina, chocolate, bolachas ou afins. Eu também janto sopa, verduras e um bocado de proteína sem hidratos de carbono porque mexo-me muito pouco nestes dias e estou apostada em emagrecer!

Depois de o deitar faço um ou dois telefonemas de conexão social, vejo TV, escrevo, faço uma aula de um curso online que ando a tentar acabar ou termino tarefas de planeamento para o dia a seguir.

Acho que estou perfeitamente habituada já à quarentena. Já dou por mim a nem querer sair de casa. Hoje tive entrega de compras ao domicílio por um dos homens da minha vida que me trouxe Radlers e amendoins para os meus finais de tarde. Ontem à noite consegui dar 2.500 passos enquanto fui despejar o lixo à rua e deixei o puto a dormir sozinho em casa. Fico sempre de coração na mão quando tenho de fazer isto, mas é a minha única alternativa.

A única coisa insubstituível de que sinto mesmo falta é de abraços. Mas acho que vou furar a quarentena novamente na Sexta à noite e ter cá outro dos homens da minha vida a jantar. 

Preciso de sentir que ainda sou humana. Que ainda sei olhar nos olhos e conversar. Que ainda consigo ler expressões faciais. Não sei o que este tempo nos vai fazer mas tenho lido muito sobre psicologia e conexão humana. Receio pelo futuro da Humanidade e pela evolução de milhares de anos que ainda assim não nos tornaram perfeitos. Só espero que pelo menos este isolamento nos traga sabedoria.

Oração:


Preciosos são os tempos desta Quarentena! 

Diário de Uma Quarentena #21032020


Sábado que nem sabe a fim-de-semana. Consegui sair da cama às 10h, depois de acordar as 7h45 com o puto, mas ele já sabe ligar a TV sozinho e foi ver os desenhos animados enquanto eu punha as notícias em dia. Já disse que vou deixar de ver o telemóvel na cama, mas ainda não consegui a disciplina. Acabei por estar quase 2h a falar com um dos homens da minha vida com quem seria feliz se a vida não nos tivesse levado para cidades diferentes.

Tive uma reunião de trabalho pelas 11h, que deveria ter sido um brunch entre amigos num sítio lindo aqui do Porto. Definimos uma imagem visual mais coerente para um projecto. Tomei logo algumas acções imediatas e rápidas e decidi limpar a casa porque já não aguentava o estado do pó e dos tapetes. Já não me lembrava do que era limpar tudo, mas cheguei à conclusão de que tenho poucas coisas nesta casa porque acabei por me despachar bem rápido! 

Depois de perceber que hoje ia tudo descambar em horários, dei o almoço ao puto pelas 14h, tomei banho e fui deitá-lo para a sesta. Almocei uma salada e pela primeira vez esta semana consegui estar no sofá sentada a ver um programa de TV onde validei algumas das coisas que penso, aprendi coisas importantes com alguém com quase 60 anos e decidi pensar menos nas coisas. Valeu bem a hora que demorou!

Quando o miúdo acordou sentia-me finalmente descansada, mas ainda vim acabar algumas tarefas que não páram de se acumular nas minhas listas de trabalho. Eram 19h30 quando me lembrei que ia furar a quarentena e ter cá um amigo a jantar em casa. Aquele que tem sido o meu anjo da guarda dos últimos tempos, aquele que faz de babysitter da criança para eu ir às compras ou me traz as compras a casa, aquele que todos os dias me pergunta como estou e se não gosta da resposta pega no telefone e liga imediatamente. Eram 20h e pouco quando ele chegou e me viu vestida para um jantar de Sábado normal, que teria acontecido connosco nalgum sítio fora de casa se não estivessemos nesta quarentena tramada! Jantámos um risotto de cogumelos maravilhoso e abrimos 2 garrafas de vinho branco das 5 que ele me providenciou!

Ficámos a conversar até à 1h30 da manhã, sobre tudo e sobre nada em particular. Andei muitos anos para trás no tempo e concluí como fui louca ao ir de Erasmus para a minha amada Itália, com 19 anos sem falar uma palavra de italiano. Foi um tempo de solidão que me ensinou muita coisa útil para este momento que estamos a viver. Vão ser tempos duros, mas que nos vão permitir relembrar sabedorias antigas por vezes esquecidas.

Que se mantenha a saúde e a paz! 

Highlight do Dia:

Vi um homem semi despido a apanhar sol na varanda esta tarde! 

Diário de Uma Quarentena #19032029


Desde o início deste quarentena voluntária, acho que hoje foi o dia mais próximo do normal que tive. Acordei pelas 8h, tomei o pequeno-almoço e dei de comer à criança, li as notícias já que deixei de ver o telejornal há 3 dias, e vesti-me. Pelo caminho liguei a uma amiga para saber como ela estava e sem querer delineei uma formação à distância.

Eram 10h quando comecei a trabalhar afincadamente para levar ao ar um evento virtual de 100 pessoas na próxima semana. Vamos ver como corre! Arrumei pastas virtuais e criei uma organização diferente na gestão do projecto. Estava claramente a precisar de gastar energia nas coisas que me dão prazer!

Preparei o almoço mais cedo, pelas 12h30 e fui adiantando também o jantar. Parecendo que não isto fez a diferença na estruturação do dia e no cumprimento de horários com o meu filho. Almoçámos os dois, brincamos aos dinossauros e ele foi dormir a seguir. Ao contrário de ontem que pelas 17h desisti de insistir na sesta que nunca aconteceu, hoje adormeceu rápido e só acordou pelas 17h. Tinha decidido que ia beber o café a seguir ao almoço na varanda, mas sem saber bem como sentei-me ao computador e só levantei o rabo da cadeira eram quase 19h. Fiz reuniões online, revi coisas em falta, aprendi umas coisas novas de ferramentas virtuais e distribui trabalho.

Pelas 19h fui dedicar-me a uma descoberta de prazer recente: cozinhar! Estava a precisar deste tempo para poder disfrutar disto com o meu filho nos próximos anos. Tenho a sensação de que passarei muito tempo na cozinha a fabricar magia com as mãos e as panelas nos próximos anos. Para amanhã tenho o plano de fazermos o nosso primeiro bolo em conjunto!

Aqui pelo meio planeei um jantar de Sábado com mais uma pessoa do coração assim meio à socapa, porque preciso de algumas compras e estava a sentir a falta dele. Vamos beber vinho, comer risotto de cogumelos e brindar ao facto de estarmos vivos e bem de saúde! 

Hoje já disse que só me apetece lamber corrimões dos supermercados a ver se apanho o vírus, curo a coisa e posso voltar a uma vida normal! Faz hoje 7 dias que estou nesta quarentena voluntária e apesar de já me sentir habituada a esta nova "normalidade", a verdade é que já nem me lembro do que é andar a pé na rua!  

Curiosamente as noites são o que menos me custa, porque já estava bem habituada a esta impossibilidade de sair. E se passar o dia focada como hoje, mal dou por ele a passar. Noutro ponto, ando inconscientemente a racionar comida, para mim e para o meu filho também. Acho que por um lado tenho medo que acabe mas por outro acabo por comer menos porque não me mexo muito e continuo sem grande fome. 

Estou preocupada com muitas pessoas que conheço que têm negócios pequenos e não sei bem como é que vão sobreviver a isto. Já disse que em 2020 vamos morrer de 3 coisas apenas: coronavírus, crise económica e/ou loucura. Escolham a vossa!

Diário de Uma Quarentena #18032029


Fui à praia muito provavelmente pela última vez nos próximos meses. Aqueles breves minutos fizeram milagres por mim. 

Ainda assim estou absolutamente exausta hoje. Sem capacidade de registar o dia. Tal como não consegui registar o de ontem. 

Voltei a ter montes de compromissos na agenda e pouca capacidade de produzir coisas. Tenho genuinamente de abrandar ou vou dar em louca e esgotar-me.

Todos os dias são uma aprendizagem sobre o que não fazer para ter mais qualidade de vida e capacidade de resistência. Por agora é apenas ir dormir mais cedo do que o habitual para aguentar o dia. 

Prometo voltar aos relatos mais detalhados logo que possível. Estou a precisar de uma pausa desta pausa. 

Verbo da Semana:

Quarentinar!

Diário de Uma Quarentena #16032020


Hoje foi dia de novo reajuste. Ser segunda-feira sem sair de casa, ter o puto em casa o dia todo, a pressão do trabalho para fazer, a falta de vontade e a necessidade imensa do exercício físico logo pela manhã!

Acabei por molengar na manhã. Acordámos pelas 8h30 e só tomámos o pequeno-almoço já passava das 9h30! A manhã foi passada a ver as notícias, a tratar de assuntos delicados de trabalho, a matar o isolamento social com 2 ou 3 telefonemas para colegas e amigos. Eram 13h30 quando fui tratar do almoço que já estava feito desde ontem. Almocei com o meu filho, tratei de o pôr a dormir, fiz mais uns telefonemas e andei às voltas com a sesta dele até às 17h, hora em que ele finalmente adormeceu. Estamos todos trocados nas rotinas e ele não é excepção. Por mais que eu tente normalizar a vida, é difícil conseguir e é difícil fazer-lhe entender o que se passa lá fora. 

Graças a uma amiga que é luz, consegui estar focada à tarde a trabalhar. Despachei coisas do doutoramento, aprendi mais umas coisas novas e planeei um evento virtual que deve acontecer dia 27 deste mês. Pelas 19h fiz a minha aula de Yoga seguida de um bom relaxamento. Consegui meditar um pouco enquanto observava o pôr-do-sol e pensava na loucura do que estamos a viver. 

Jantei rissóis no forno que tive a clareza de comprar antes da quarentena e que me apeteciam mesmo! Passei 2h no skype com 2 amigos que adoro e fizemos a tour virtual das respectivas casas porque uma delas ainda não tinha estado nas nossas casas. Estranho modo de vista este, onde entramos nas casas uns dos outros sem sabermos a morada!

Uma das maiores novidades desta fase é a minha ausência de fome, depois do pequeno-almoço. Acho que o meu corpo se está também a habituar ao menor gasto calórico e é raríssimo sentir fome. Tenho reduzido imenso as doses habituais de comida, o que não é mau dado não sabermos bem o que aí vem. 

Ontem já tarde, falava com um grupo de colegas que estamos espalhados pelo mundo fora, maioritariamente na Europa e todos estamos a viver o mesmo e a tentar ser criativos. À excepção do Reino Unido que continua a fazer uma vida absolutamente normal.

Amanhã terei de sair para ir às compras porque preciso de tampões! Estou de coração apertado só de pensar como vou gerir este stress com o meu filho! Logo ele que tem a sorte de nunca querer sair de casa! Aquece-me o coração já ter tido pelo menos 4 pessoas a oferecerem-se para me trazer as compras a casa.

Amanhã à tarde tenho também 2 reuniões no Zoom, essa tábua de salvação do trabalho remoto. Uma com alguém aqui perto, a outra com muitas pessoas espalhadas pelo Mundo. Vai ser bom sentir alguma Humanidade, ainda que virtual com outros. Hoje de manhã escrevi também sobre o que me afligia. Sinto muita falta de andar a pé sozinha, a ouvir música e pensar na vida. Este ritual tornou-se no meu escape e no meu bem essencial para o equilíbrio. 

Sonho com o dia em que possa retomar esses passeios. Sonho com uma praia quente e pouco movimentada ao pôr-do-Sol. Sonho com um intermédio entre o bulício antigo e a paz que esta quarentena nos obriga a encontrar.

Nova Temática de Estudo:

Cobots.

Diário de Uma Quarentena #15032020

O dia começou mais cedo com a criança a acordar pelas 7h. Incrivelmente estive na cama até às 9h e consegui, pela primeira vez em muitos meses, visualizar a vida que quero que se siga, depois desta fase que iniciei em 2017, e os novos caminhos que quero traçar para nós. Parece que estava à espera do momento certo para encontrar novas direcções no caminho.

O meu vizinho da casa ao lado anda a podar as videiras desde ontem. Vê-se que é uma casa modesta mas cheia de plantas verdes e um terraço que faz inveja. Tenho parado muitas vezes para observar a vida nas janelas à volta. Mesmo em frente tenho 2 janelas enormes com um candeeiro de tecto imenso e lindo que se acende todas as noites. Parece uma daquelas salas de jantar super fancy onde se fazem tertúlias filosóficas todas as noites. Sempre tive curiosidade em saber quem mora ali. No restos das janelas, à volta, há muitas pessoas mais velhas sozinhas. E alguns casais mais jovens nos prédios da direita.

Cumpro religiosamente a rotina de me vestir e arranjar todos os dias. Hoje fui mais além e fiz uma exfoliação geral ao corpo todo, arranjei as sobrancelhas, pintei as unhas. Antes disso, tinha dado um jeito à casa e arejado tudo. Pela primeira vez em muitos anos voltei a sentir um imenso e genuíno prazer em cozinhar para mim e para o meu filho quando fiz um almoço simples de frango com esparguete. Terei de ir com ele às compras esta semana e tenho medo de sair de casa. Estou a pensar num supermercado onde o possa deixar no carro enquanto compro o necessário para os próximos dias.

Vi um filme esta tarde: Chefes Intragáveis 2. Sempre defendi que a arte deve mexer connosco, mas em matéria de cinema há muitos anos que só procuro finais felizes ou coisas que me façam esquecer da dura realidade lá fora. Em tempos de quarentena então isso é mais que obrigatório! Tenho visto também uma série na Netflix para me distrair: Toy Boy. 

Pelo meio tenho tentado reflectir sobre algumas das coisas importantes na vida, nomeadamente na perda de liberdades individuais que este vírus vai trazer. Assusta-me que haja uma petição a circular para o fecho das fronteiras, porque isso vai permitir que haja sempre circunstâncias excepcionais onde a livre circulação de pessoas pode deixar de ser um direito. A Europa tal como a maioria da minha geração a conhece, pode muito bem vir a ser apenas uma memória. 

Estranhamente o caso do Reino Unido e a abordagem que estão a ter dá-me esperança de que eles possam estar mais certos do que nós. Não espero milagres, mas gostaria de que fosse possível uma abordagem onde a liberdade não é posta em causa em nome de uma pandemia.

Todas as noites, cerca das 21h, faço uma videochamada com a família toda no chat do Facebook. Ontem ri-me como já não me lembrava de rir há anos! Porque apesar de ser por vídeo parecia exactamente a mesma dinâmica familiar quando estamos todos juntos. Sendo que havia um de nós que estava a + 2.000kms de distância. 

A quarentena tem-me feito reaprender alguns dos meus prazeres de sempre sendo escrever o maior deles todos.

Diário de Uma Quarentena #14032020


O dia começou à hora do costume. Houve tempo na cama para aproveitar o despertar, com direito a beijos, cócegas e mimos aos magotes. Sei que vou sentir muita falta deste tempo ao despertar quando a vida voltar ao normal. 

Pequeno-almoço habitual, vestir a roupa como se fossemos sair perante um protesto veemente do puto que adora andar de pijama. De seguida cai no erro crasso de ver notícias e devo ter passado 2h a consumir tudo o que havia escrito sobre o sacana do vírus. Dei o almoço ao puto e cozinhei comida para parte da semana. Sei que o tempo não vai ser um constrangimento mas preferi ocupar o dia de hoje nisso. 

A sesta hoje foi impossível de acontecer. Não sei o que se passa com o meu filho, mas são quase 23h e ele acaba de vir ter comigo à sala a dizer que tem medo e não consegue dormir. Parece que ele sente a energia do mundo na fase em que estamos a viver. Às 17h desisti e decidi ir dar uma volta de carro com ele sem parar em nenhum lado. Cerca de 10 minutos depois ele dormiu. Acabei por andar as voltas a ver o rio, a cidade quase parada e uns quantos corajosos que corriam ou andavam de bicicleta à beira-rio. Uma tarde de sábado normalizada mas longe de ser normal. Está quase tudo fechado, a cidade estava bastante deserta e havia filas para se poder entrar nos supermercados já. 

Acabei por estar quase 1h ao telefone com um homem, com quem podia facilmente casar e viver feliz para sempre (também conhecido por Husband Material), a falar de banalidades e a tentar viver uma vida normal. Quando tudo passar, quero estar horas na praia a apanhar sol e deitar conversa fora! 

Não consegui jantar hoje. Parece que tenho o almoço todo no estômago. Acabei por beber um batido de aveia e açaí como nos meses de gravidez em que estava sozinha também numa espécie de reclusão e aqueles batidos me alimentavam o corpo e a alma. Tenho evitado consumir doses massivas de TV e ando com um livro e uma garrafa de água pela casa. Hoje o dia foi difícil para mim que sou uma pessoa de pessoas. 

Manter o ânimo em alta está a ser uma tarefa difícil porque na semana passada já estive em isolamento social praticamente a semana toda. Adoptei uma frase: Infectados já estamos todos, a ideia é transmitir isto ao menor número de pessoas possível. 

Tenho muito medo de como será a vida depois disto. Desconfio que poucas coisas serão como dantes...

Diário de Uma Quarentena #13032020


Foi como um dia de Sábado normal. Acordei à hora do costume, estive meia hora nos mimos na cama com a cria, tomámos o pequeno-almoço, vimos televisão. Eu vesti-me, deixei o puto entregue em casa e fui buscar os últimos bens de primeira necessidade ao supermercado aqui ao pé. Nunca vi prateleiras tão vazias nem uma fila tão grande.

Brinquei com o assunto, atestei o carro de combustível, comprei um maço de Slims para os momentos em que precisarei de descomprimir e vim fazer o almoço. Ele dormiu a sesta e eu trabalhei. Atirei ideias para entreter uma equipa de 15 pessoas, distribui algumas tarefas, fiz uma newsletter e acudi mil vezes a um puto que não queria dormir. 

Eram 17h quando fiz a minha saudação ao sol e estivemos os dois na varanda a tomar a nossa dose de vitamina D. O final de dia foi o mais normal possível: fazer sopa, cozinhar, tratar das coisas para amanhã. Pelo meio criei alguns rituais: ligar por videochamada à minha mãe, fotografar a vista da janela da cozinha, fazer um check aos que me são próximos. 

Vivemos um momento ímpar no curso da História. Preciso de o escrever para um dia perceber o que aconteceu aqui. 

Segunda Casa!

Aquele momento em que já tens o número do restaurante de eleição do Porto gravado no telemóvel. 

Ossos do Ofício!

Aquele momento em que arranjas as sobrancelhas e fazes as unhas porque vais apresentar um evento no dia a seguir! 

Ano Estrela:

Aquele momento em que os teus amigos são contactados por um programa de televisão para fornecerem informações sobre ti! 

Para ver se ele melhora na cama!

Consegui convencer um gajo, com a flexibilidade pélvica de uma parede de betão, a ir a uma aula de yoga.

Nunca me enganaram!

No século XVIII, os primórdios das passadeiras que hoje usamos no ginásio, eram instrumentos de tortura dos prisioneiros ingleses! 

22 Almas:

O maior número de pessoas de que há memória na celebração do meu Aniversário! 

Do Porto Canal:

Aquele momento em que já tens cabeleireira e maquilhadora para o teu futuro casamento, com alguém escolhido por elas. 

Ainda antes do ano acabar, estou apostada em:

  1. Ver a exposição do Henri Cartier-Bresson.
  2. Reunir um grupo de amigos desconhecidos num Jantar Comunitário.
  3. Terminar a primeira temporada de um projecto radiofónico em grande.
  4. Ir a Viena visitar uma amiga-irmã.
  5. Re-aprender a gostar de estar sozinha.
  6. Ouvir MEUTE e Michael Kiwanuka numa sala de Lisboa.
  7. Fazer um curso sobre relações humanas.
  8. Ir dançar lindy hop com um par conhecido.
  9. Fazer uma coisa inesperada e soltar a espontaneidade.
  10. Juntar uma família muito especial a jantar!
  11. Fazer um workshop de uma atividade nova.
  12. Começar uma 2ª rubrica semanal no Porto Canal.
  13. Encontrar a minha palavra para 2020: Mojo.
  14. Ter um encontro inesperado.
  15. Fazer 36 anos.


Espelho:

 Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.