Passaporte!

 


E acabei a vacina com a enfermeira a pedir-me o meu n.º de telemóvel! 

Agora só falta acertar o género e quiçá tenha um date... 



Hora de Almoço.

 Falava-se de online dating e de casais à procura de alguém nas apps para uma coisa a 3 e nisto digo eu:

- Se já é difícil arranjar um, agora imagina arranjar dois!


Bendita Tecnologia!

 A tarefa mais animada do meu dia é tentar ler um artigo de investigação escrito em russo, através do Google Translator!


Fadiga Pandémica:

Deve ser isto de me sentir como uma vaca no matadouro, todos os dias iguais e sem perspetiva de novidades.


Paradigma do Século XXI


Vivemos num tempo em que somos e valorizamos a auto-suficiência, a força e o poder de nos bastarmos a nós próprios. Tratamos de nós, do nosso auto-cuidado e das nossas necessidades. E se precisarmos de ajuda com alguma destas coisas pagamos em vez de estendermos o braço e a mão e pedir por ela.

Não queremos amarras, não compramos carros nem casas. Não compramos mobílias e uberizamos todos os negócios, para que nos sirvam única e exclusivamente durante o tempo em que os queremos ter e usufruir deles. Dizem que valorizamos as experiências e os momentos únicos que vivemos.

Por conta disso coleccionamos momentos e pessoas nas nossas vida, mas sem amarras nem compromissos. Coleccionamos instantes de prazer mas pouca felicidade. Temos filhos para nos realizarmos ou correspondermos às expectativas sociais, mas pedimos aos avós que os cuidem e continamos a viver a vida como se fossemos solteiros/as com 20 anos. 

Gostamos da intemporalidade de algumas coisas, mas vivemos no consumo rápido da vida e na acumulação constante de memórias como uma droga que se toma para não se sentir o desconforto daquilo que fazemos. Vivemos experiências extremas sem o tempo de as saborear e guardar na memória e achamo-nos o máximo pela quantidade de coisas que já fizemos ou vivemos. Vivemos como se fossemos para sempre invencíveis ou imunes às questões da idade.

Queremos fazer e por isso tornamo-nos empreendedores de coisa nenhuma, ocupados que estamos em fazer todos os papéis de uma organização séria, especialistas de banalidades, tal a dispersão de funções, áreas e actividades que acumulamos em cima de nós. Vivemos com a pressão do nosso próprio sucesso, como se controlassemos tudo e não houvesse acaso.

Tratamos como fracos ou inferiores quem não se encaixa no perfil. Quem pede ajuda e estende a mão. Quem diz que precisa e não se acomoda à fluidez da vida. Quem quer assentar arraiais e ficar. Quem sabe que sozinhos somos muito pouco. Quem permanece.

Somos a chamada geração do Do It Yourself.

Querida TPM:

Fui ao cinema ver o filme das Doce e chorei!

Orelhas:

O nome da mascote do meu filho que o acompanha para todo o lado desde bebé!

As árvores.

Da minha varanda vêem-se 3 árvores enormes que fizeram lar num terreno baldio do outro lado da rua. 

É da minha varanda que vou assistindo às estações do ano à medida que elas vão perdendo as folhas, vão ganhando galhos novos, vão-se enfeitando com folhas verdes e permitindo que as andorinhas façam ninho ali no meio. 

Num ano em que passei a maior parte do meu tempo em casa, porque a pandemia me obrigou a um teletrabalho forçado que já não aguento, deixei de reparar nas árvores que se viam na minha varanda. Deixei de ver as estações a mudarem, porque todos os dias me parecem iguais. Deixei de ver o que lá está, para ser tudo uma imagem esborratada e indefinida da paisagem de sempre.

Ontem enquanto fumava na varanda, o meu único cigarro do dia, ou melhor, da noite, reparei que as árvores cresceram. Que já não consigo ver os semáforos ao fundo da rua, porque as copas das tais árvores os taparam por completo. E quando percebi isto, nem sei bem como nem porquê, percebi que este ano mais do que nunca vivi no piloto automático de qual tanto quero fugir. Percebi que já não via as árvores como dantes. Habituada a estar sempre defronte da mesma paisagem, deixei de lhe re-conhecer os detalhes. Passou tudo a ser uma imagem fotográfica imutável na memória.

Não sei exactamente o que aconteceu ontem para que os meus olhos vissem novamente os contornos da imagem habitual. Não sei qual foi o clique que se deu no meu cérebro. Mas agradeci na mesma, ter visto os detalhes da mudança. E sorri perante o crecsimento daquelas árvores, que me têm acompanhado nos últimos 5 anos da minha vida.


Marxismo Infantil.

A educadora do meu filho diz que ele passa a vida a dizer que o trabalho das crianças é brincar. 

A teoria do capital humano parece que se entranha logo no pré-escolar.

Espelho:

 Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.