Quem me conhece minimamente, e principalmnete quem me lê há algum tempo, sabe perfeitamente que raramente falo de "temas quentes" do momento e menos ainda sou dada a homenagens póstumas dos que não conheço. Mas a verdade é que a morte do Anthony Bourdain me abalou de uma forma que eu própria não consigo bem perceber... Pensava nisto hoje enquanto lia a notícia meia incrédula a meio do almoço, já à pressa porque o trabalho aperta. E concluí que o Anthony Bourdain foi uma figura com um peso muito grande na minha vida e que me impactou imenso, mesmo sem eu nunca ter percebido e ele nunca vir a saber.
A primeira vez que vi o Bourdain foi num programa na Sic Radical (já não me lembro do nome!) em que ele estava em Lisboa a conhecer as pessoas e a comida. Foi lá que descobri quem eram os Dead Combo, que são só uma das minhas bandas favoritas de todo o sempre, cujos concertos a que assisti já perdi a conta, uma banda que conheci pessoalmente e com quem falei algumas vezes e de quem tenho um livro autografado.
Foi o Bourdain que me fez perceber que esta coisa do lifestyle era gira e, em última análise, foi uma enorme e imensa influência, ainda que inconsciente, na minha decisão de um dia gerir uma publicação semanal nesta área. Foi graças a ele que descobri outras coisas de Lisboa e ganhei o bichinho de ir encontar coisas pouco comuns mas muito cool!
E é incrível como às vezes isto conta tão pouco quando vivemos num lugar escuro... Tenho pensado muito nisto do que é o sucesso, o que nos faz sentir bem-sucedidos, quais os objectivos que temos de cumprir para estarmos satisfeitos. E a treta é que estamos no último nível da pirâmide de Maslow... E agora? O que se segue quando se chega ao topo? A que podemos aspirar quando as nossas necessidades primárias estão satisfeitas? O que nos torna genuína e verdadeiramente felizes? Será que acabamos todos em depressão? Será esta, a par com o cancro, a doença mais comum deste século?
(Ainda) Não tenho respostas para as minhas próprias perguntas, mas sei que a felicidade passa inevitavelmente pela gratidão daquilo que temos e nem valorizamos. Um dia escreverei sobre a experiência transformadora que tem sido fazer voluntariado num hospital. Por agora resta-me agradecer o facto de estar viva e de boa saúde. Afinal de contas, a gratidão é mesmo um íman dos milagres!

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