*P.S.P. (Não, não julguem que isto é alguma tentativa de publicitar a PlayStation Portable. Muito menos será uma qualquer alusão a essa grande força policial que é a Polícia de Segurança Pública. Não! Isto é apenas um Post Scriptum à Priori. Eu tenho dúvidas que isto exista, mas se há algum propósito neste blog é o de me fazer inventar coisas novas.
Ou seja, antes de começarem a ler este post, é para avisar que não faço tenções de discutir aqui e agora a existência de Deus. Respeito todas as religiões e também aqueles que dizem não ter nenhuma. Este post é apenas um desabafo e aqui Deus deve ser encarado como algo semelhante, senão igual, ao que a maioria chama de Destino.)
Deus deve ser mulher...
Aliás, Deus só pode ser mulher. Deus é uma bordadeira que entrelaça a vida de todos nós num bordado único e constante, com milhares de fios e cores. E para saber bordar tão bem, teve de aprender desde criança. Ninguém borda a vida de forma tão bela e perfeita senão tiver aprendido a bordar desde tenra idade.
E é obvio que para aprender tão cedo a fantástica arte que exerce como mais ninguém, tem de ser mulher. Não conheço nenhum homem que saiba bordar, quanto mais que o faça de forma tão sublime. A arte da subtileza pertence às mulheres. Por isso, Deus só pode ser mulher.
Uma mulher, uma bordadeira que se inicia desde cedo e que percebe que gosta do que faz, que os outros apreciam o seu trabalho e que cada vez se empenha mais em fazer um bordado bonito.
Deve ser uma daquelas bordadeiras de Viana, que fazem renda de bilros. Mas uma bordadeira de bilros especial, daquelas que usa milhares de milhões de linhas diferentes, todas entrelaçadas no mesmo bordado e que no seu conjunto perfazem o bordado mais bonito que nos é possível observar.
É uma daquelas bordadeiras que gosta de cores diferentes e tem tanto jeito que ousa até inventar pontos novos. Deve ser isso, que faz de Deus uma bordadeira notável. A sua capacidade para inovar e a criatividade que aplica nos seus bordados.
Borda com calma e paciência, porque já o faz há muitos anos. Tantos que possivelmente até já lhe perdeu a conta. Quase que afirmava que fez isso a sua vida toda. E fá-lo bem feito!
Agarra em cada linha diferente, com uma cor única e entrelaça-a em todas as outras sem que fiquem presas em sítios que não era suposto estarem. Apenas dá os pontos necessários e sabe sempre quando fazer os nós. Daqueles tão bem feitos que nenhuma outra bordadeira conseguirá desfazer.
Borda como ninguém! Vira, cruza, enrola, entrelaça, dá mais uma volta e muda de ponto…
Sabe sempre quando se enganou e volta atrás para desfazer o que ficou mal feito. Quando acha que o bordado não está como devia estar, desfaz tudo e começa de novo. Se calhar com linhas diferentes, mas sempre com o propósito de fazer o mais belo bordado que se lembre.
Deus deve ser bordadeira…
Escrito dia 19 de Setembro de 2006.