És um amor que nunca tive.
PTSD:
Nos últimos tempos tenho percebido que há um episódio da minha vida que me deixou com perturbação de stress pós-traumático.
Isso pode explicar porque tenho escrito tanto nos últimos tempos.
Inédito:
Tu vês-me como mais do que suficiente apenas como sou.
Vês-me inteira. Com toda a minha luz e toda a minha sombra e não te assustas com isso. Mas também não te atiras de cabeça. Apenas permaneces para absorver a imagem toda e perceberes onde te estás a meter.
Vês-me nua mesmo sem eu estar despida nem me teres tirado uma única peça de roupa. Vês-me como perfeita mesmo nas minhas imperfeições.
Sognefjord:
Há um lago imenso à minha frente onde estou mergulhada e onde sinto que me vou afogar num misto entre falta de ar e cansaço das braçadas. Não sei mesmo quanto tempo mais vou aguentar...
Ao longe vislumbro um casa de madeira cinzenta. O cinzento parece ter tomado conta da minha vida ultimamente. E o dia lá fora está cinzento e escuro também. Do sítio onde estou a nadar no lago vejo os vidros impecavelmente limpos da casa. Consigo ver um sofá cor de terra e a bancada da cozinha. Vou continuando a nadar na esperança de chegar à margem, mesmo sabendo que se morrer ali gelada passarão muitos dias até que dêem pela minha falta.
Em volta vejo uma floresta imensa. Os pinheiros são enormes, o chão está cheio de caruma e há uma neblina que se levanta da floresta inteira. Enquanto me aproximo vejo que ao longe há mais casas e de algumas sai fumo da chaminé. Finalmente começo a ter esperança de conseguir chegar à margem e sinto-me menos sozinha. Sei que este lago tem ligação ao mar do Norte e por isso a água está tão fria. Também sei que parte da neve que vejo nas montanhas ao longe derreteu e veio arrefecer a água.
Finalmente alcanço a margem e saio. Sinto-me prestes a desfalecer com o frio no meu corpo. Mas apanho os chinelos e a toalha que deixei na margem e encaminho-me em direcção a casa. Não é a minha casa, embora seja minha por um par de meses. Ou dois ou três. Penso no quanto gostaria de ficar aqui a viver de vez.
Entro. Deixei a chave na porta porque neste sítio cujo nome desconheço, somos tão poucos que sabemos o nome de todos e as portas podem ficar abertas. A casa está quente do sol dos últimos dias e da salamandra acesa que existe no meio da sala. Vou directa ao banho quente. O branco da casa, pontuado pela cor do sofá e dos tapetes mais alguns pequenos apontamentos de cor, dá-me paz.
Tomo banho e penso que preciso de agarrar a bicicleta e ir às compras ao centro da vila. Visto-me com roupa quente no quarto que fica no andar de cima, um sótão com clarabóias maravilhosas. Levo o gorro de lá e uma gabardine bege. Pela janela vejo-o de gabardine amarela. Não tenho a certeza de quem ele é, mas aquela gabardine atrai-me como um farol.
Pego no saco cama e deito-me por uns minutos no baloiço do alpendre. Fecho os olhos enquanto processo o pânico que minutos antes tive a nadar no lago. Quando os abro vejo as montanhas magníficas que cortam o cinzento do céu. E a neblina que sobe. Um hidroavião corta o céu. Vai aterrar na vila ao lado e deve trazer passageiros e mantimentos. As estradas vão começar a ficar geladas e vai ser cada vez mais difícil sair. Sei que nos próximos dias tenho de ir à cidade buscar mantimentos para a estação invernosa que aí vem.
O farol gira e mostra a todos os barcos e náufragos onde está a luz. Adoro ver a luz do farol, especialmente quando a vejo das clarabóias do quarto a meio da noite. Ainda estou deitada no baloiço e enrolada no saco cama quando ele chega. Sinto-o cansado. E sei que parte desse cansaço é responsabilidade minha. Desgastei-o com algo que era apenas meu. E ele ficou.
Agora tenho medo que ele venha dizer que não aguenta mais. Chega de azul escuro e branco. E vejo no corpo dele o cansaço. Nos olhos a tristeza. Nas mãos o desânimo. Na linha das costas a derrota. Toda eu me diluo naquele corpo que adoro. Onde me perco encaixada nas noites frias. Sei perfeitamente que ele não quer ir embora. Mas sei também que ele precisa de uma pausa para poder gerir os seus próprios sentimentos. Eu queria que ele ficasse mas sei que ele tem de ir. E os revés amorosos como no cinema são, na maioria das vezes, comportamentos muito tóxicos.
Peço-lhe desculpa com palavras mas principalmente com os olhos. Queria poder ter apagado tudo o que aconteceu na noite anterior. Queria ter ficado quieta e calada. Mas não consegui. Não sei ainda gerir tudo o que sinto e quase sempre acabo a deixar-lhe o problema a ele para ele resolver.
Saímos juntos em direção ao portão. Despedimo-nos com um beijo que me mostra que a chama que nos uniu ainda está lá. Mas agora é hora de deixar o lume quieto antes que se apague de vez.
Timing:
Dormi 5h com uma ansiedade meia doida por causa de trabalho. Estou a uma unha negra de me declarar e pôr as cartas em cima da mesa. Mas decidi ser adulta, por uma vez na vida, e esperar pelo momento que sinto como certo.
Educação não é domesticação.
Fazemos as maiores atrocidades aos nossos filhos sob a desculpa da educação, esquecendo-nos que não é a nós que eles vão deixar de amar, mas sim a eles próprios.
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Espelho:
Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.
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Pagar ou não pagar 350 euros por umas jantes especiais??? Eis a questão!
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Nem sempre temos a maturidade necessária para reconhecer nos outros exactamente aquilo que esperamos deles.
