Tem sido muito bom redescobrir-me através da forma como tu me vês.
7.º Aniversário
Os únicos dois pedidos do meu filho para o aniversário dele foram:
- Ir jantar a um rodízio de pizzas.
- Ir ao chinês ver eventuais presentes para comprar.
Deus@ abençoe a simplicidade dos homens!
Herege:
A catequista do meu filho enviou uma mensagem a dizer para ele levar a Bíblia para ser benzida amanhã na Eucaristia e eu percebi que não há nenhuma Bíblia cá em casa!
Pontos altos de 2022:
Janeiro
- Decidi que queria mesmo voltar ao mercado de trabalho e comecei a procurar emprego.
Fevereiro:
- Terminei as gravações do Tinderella: O Amor nos tempos do Digital e criei as Cartas de Amor Digital.
- Recebi 3 propostas de trabalho e optei por aquela que me permitia continuara viver no Porto e construir a vida que gostava de ter com o meu filho.
Março:
- Voltei à Prova Oral. Comprei flores semanalmente para mim mesma.
Abril:
- Voltei ao ginásio religiosamente 3x por semana. Enfrentei uma cirurgia do meu filho sozinha. Tive amigos que foram o meu pilar.
Maio:
- Fiz a minha primeira Street Wisdom Tour. Fui ao teatro ver os Monólogos da Vagina. Recebi uma planta dos meus alunos da Faculdade.
Junho:
- Regressei a Lisboa. E a Tavira. Voltei a estar de férias com amigas e percebi o quanto me sentia sozinha.
Julho:
- Mudei de ginásio e passei a ver bombeiros sempre que lá vou. Cortei o cabelo. Criei amigos entre os vizinhos. Apaixonei-me e parti o coração (outra vez!). Velejei no Atlântico. Fui vacinada.
Agosto:
- Criei uma equipa de quizz chamada "De 4 não é amor!". Fui ao baptizado da filha mais nova da minha melhor amiga. Regressei ao meu local de férias de infância.
Setembro:
- Fui dispensada do meu trabalho no último dia do meu período experimental de 6 meses. O meu filho entrou no 1.º ano da escola.
Outubro:
- Voltei a Lisboa e matei saudades. Voltei ao
Novembro:
- Voltei a Atenas em trabalho e encontrei parte do meu flow!
- Fui a Guimarães ver o "Deixem o Pimba em Paz!" e cantei até me faltar a voz!
Dezembro:
- Voltei a Atenas.
- Reuni a família Tinderella num jantar.
- Convidei um desconhecido para uma ideia louca.
- Fiz anos rodeada das pessoas chave no Porto.
- Percebi que é possível.
Almoço:
Aquele momento em que decides se ficas ou não em teletrabalho em função do menu de almoço na cantina.
Ainda antes do ano acabar, estou apostada em:
Ir à Grécia.Terminar um curso de Conhecimento Pessoal e Inconsciente.Ser madrinha de Natal de uma criança.Ver o Bruno Nogueira e a Manuela Azevedo no "Deixem o Pimba em Paz!".- Organizar um Magusto em minha casa.
- Levar o meu filho ao Planetário do Porto.
- Voltar a dançar com um par.
Voltar ao Douro para matar saudades.Ira Lisboaver a luzes de Natal.Matar saudades de duas das minhas melhores amigas.Levar o meu filho ao Circo de Natal do Coliseu.Despedir-me de uma pessoa sem lhe partir o coração.Ter um jantar romântico a dois.Encontrar a minha palavra para 2023.Celebrar os meus 39 anos!
Transformação:
A pessoa que sou hoje aceitaria com enorme felicidade a experiência de viver na Suíça.
Constatação:
Sinto que um dia vou olhar para estes anos em que ouvia música e lia depois do meu filho ir dormir e vou sentir saudades. Especialmente da paz que me habita.
Desejos da ex-futura-sogra:
Que encontre um bombeiro rapidamente. Ou um homem da Marinha que também são muito giros!
Almas Gémeas:
Dulce. Paulo. Miguel. Lara. Joana. Mónica. Marta. Ana. Pedro. Bruno. Luís. David. Susana. Joana. Cátia. Rui. André. Hugo. Marco. Raquel.
Namoros, casamentos e compromissos:
Não estou certa de algum dia estar preparada para dizer Adeus ao meu eu solteiro!
Vive la France!
Desde há uns 2 ou 3 meses que vieram morar para a casa ao lado da minha uns vizinhos novos franceses. São um casal jovem, muito altos e são simpáticos. Ainda hoje nos cruzámos no elevador e falámos sobre o verão tardio no Porto.
Mas têm um imenso problema: cozinham extraordinariamente bem!!! Passam a vida a fazer pratos que me deixam de água na boca cada vez que chego ao patamar de casa. Já consegui sentir o cheiro a quiche, a raclette e a fondue! Não os suporto porque sinto que engordo só de salivar com a coisa.
Acho que tenho de dar uma de vizinha simpática para ver se me convidam para jantar um dia destes!
Twitter:
Troquei números de telemóvel com um desconhecido no Twitter. A minha vida não podia ser mais poética!
Breve Introdução ao Conceito: Trabalho
Passar o dia a ver vídeos no Youtube e ouvir podcasts no Spotify.
Trauma:
Não sei ser eu própria quando me vêem. Menos ainda quando alguém gosta de mim tal como eu sou
Estreias:
Sentir pela primeira vez que quero alguém que também tome conta de mim. Por mais assustadora que a ideia me possa parecer. Por mais difícil que seja reconhecer-me em mim mesma perante esta perspectiva.
Coisas que aquecem a alma!
Hoje agradeceram-me o facto de escrever Cartas de Amor e de ser uma inspiração.
Restauro:
Enquanto arranjo a casa e a preparo para a próxima fase sinto que eu própria internamente me ando a restaurar também.
A memória mais dolorosa:
A manhã de 9 Janeiro em que o pai do meu filho saiu de casa para entrar num avião a caminho da Suíça e eu fiquei completamente sozinha em casa, com um barrigão de 8 meses de gravidez a dilacerar-me interiormente por estar a sentir o maior abandono de todo a minha vida.
PTSD:
Nos últimos tempos tenho percebido que há um episódio da minha vida que me deixou com perturbação de stress pós-traumático.
Isso pode explicar porque tenho escrito tanto nos últimos tempos.
Inédito:
Tu vês-me como mais do que suficiente apenas como sou.
Vês-me inteira. Com toda a minha luz e toda a minha sombra e não te assustas com isso. Mas também não te atiras de cabeça. Apenas permaneces para absorver a imagem toda e perceberes onde te estás a meter.
Vês-me nua mesmo sem eu estar despida nem me teres tirado uma única peça de roupa. Vês-me como perfeita mesmo nas minhas imperfeições.
Sognefjord:
Há um lago imenso à minha frente onde estou mergulhada e onde sinto que me vou afogar num misto entre falta de ar e cansaço das braçadas. Não sei mesmo quanto tempo mais vou aguentar...
Ao longe vislumbro um casa de madeira cinzenta. O cinzento parece ter tomado conta da minha vida ultimamente. E o dia lá fora está cinzento e escuro também. Do sítio onde estou a nadar no lago vejo os vidros impecavelmente limpos da casa. Consigo ver um sofá cor de terra e a bancada da cozinha. Vou continuando a nadar na esperança de chegar à margem, mesmo sabendo que se morrer ali gelada passarão muitos dias até que dêem pela minha falta.
Em volta vejo uma floresta imensa. Os pinheiros são enormes, o chão está cheio de caruma e há uma neblina que se levanta da floresta inteira. Enquanto me aproximo vejo que ao longe há mais casas e de algumas sai fumo da chaminé. Finalmente começo a ter esperança de conseguir chegar à margem e sinto-me menos sozinha. Sei que este lago tem ligação ao mar do Norte e por isso a água está tão fria. Também sei que parte da neve que vejo nas montanhas ao longe derreteu e veio arrefecer a água.
Finalmente alcanço a margem e saio. Sinto-me prestes a desfalecer com o frio no meu corpo. Mas apanho os chinelos e a toalha que deixei na margem e encaminho-me em direcção a casa. Não é a minha casa, embora seja minha por um par de meses. Ou dois ou três. Penso no quanto gostaria de ficar aqui a viver de vez.
Entro. Deixei a chave na porta porque neste sítio cujo nome desconheço, somos tão poucos que sabemos o nome de todos e as portas podem ficar abertas. A casa está quente do sol dos últimos dias e da salamandra acesa que existe no meio da sala. Vou directa ao banho quente. O branco da casa, pontuado pela cor do sofá e dos tapetes mais alguns pequenos apontamentos de cor, dá-me paz.
Tomo banho e penso que preciso de agarrar a bicicleta e ir às compras ao centro da vila. Visto-me com roupa quente no quarto que fica no andar de cima, um sótão com clarabóias maravilhosas. Levo o gorro de lá e uma gabardine bege. Pela janela vejo-o de gabardine amarela. Não tenho a certeza de quem ele é, mas aquela gabardine atrai-me como um farol.
Pego no saco cama e deito-me por uns minutos no baloiço do alpendre. Fecho os olhos enquanto processo o pânico que minutos antes tive a nadar no lago. Quando os abro vejo as montanhas magníficas que cortam o cinzento do céu. E a neblina que sobe. Um hidroavião corta o céu. Vai aterrar na vila ao lado e deve trazer passageiros e mantimentos. As estradas vão começar a ficar geladas e vai ser cada vez mais difícil sair. Sei que nos próximos dias tenho de ir à cidade buscar mantimentos para a estação invernosa que aí vem.
O farol gira e mostra a todos os barcos e náufragos onde está a luz. Adoro ver a luz do farol, especialmente quando a vejo das clarabóias do quarto a meio da noite. Ainda estou deitada no baloiço e enrolada no saco cama quando ele chega. Sinto-o cansado. E sei que parte desse cansaço é responsabilidade minha. Desgastei-o com algo que era apenas meu. E ele ficou.
Agora tenho medo que ele venha dizer que não aguenta mais. Chega de azul escuro e branco. E vejo no corpo dele o cansaço. Nos olhos a tristeza. Nas mãos o desânimo. Na linha das costas a derrota. Toda eu me diluo naquele corpo que adoro. Onde me perco encaixada nas noites frias. Sei perfeitamente que ele não quer ir embora. Mas sei também que ele precisa de uma pausa para poder gerir os seus próprios sentimentos. Eu queria que ele ficasse mas sei que ele tem de ir. E os revés amorosos como no cinema são, na maioria das vezes, comportamentos muito tóxicos.
Peço-lhe desculpa com palavras mas principalmente com os olhos. Queria poder ter apagado tudo o que aconteceu na noite anterior. Queria ter ficado quieta e calada. Mas não consegui. Não sei ainda gerir tudo o que sinto e quase sempre acabo a deixar-lhe o problema a ele para ele resolver.
Saímos juntos em direção ao portão. Despedimo-nos com um beijo que me mostra que a chama que nos uniu ainda está lá. Mas agora é hora de deixar o lume quieto antes que se apague de vez.
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Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.
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Pagar ou não pagar 350 euros por umas jantes especiais??? Eis a questão!
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