
A ideia para a escrita deste post, anda a remoer-me a alma há alguns dias, há tempo a mais, uma vez que agora já me falta a inspiração para dizer tudo o que queria a propósito do tema. Mas vou tentar o esforço…
Quem é nunca teve a sensação de estar dentro de um filme? Aquela sensação de que alguém está a olhar para nós e que aquilo que nos está a acontecer naquele exacto momento podia mesmo ser uma cena de um qualquer filme?
A mim, é costume acontecer-me frequentemente quando viajo. Não sei bem porquê, mas desconfio que está relacionado com o facto de uma viagem ser a altura proprícia aos acontecimentos inusitados. Quando vou num autocarro ou num comboio é frequente achar que podia estar a ser filmada que a imagem se enquadraria perfeitamente num filme. E isto só me costuma acontecer quando oiço música. É uma daquelas sensações fantásticas em que parece que somos os protagonistas de qualquer coisa importante.
Isto aconteceu-me mais uma vez este fim-de-semana, em que percorri cerca de 800 kms em três dias. Como podem imaginar é muito quilómetro para tão pouco tempo, e como tal, foi frequente a sensação. E quando isto me assalta, também é frequente eu começar a imaginar sobre o que poderia ser o filme e quais os protagonistas que incluiria.
E a meio destas ideias peregrinas, lembrei-me de todas as pessoas que fui conhecendo em circunstâncias estranhas da vida. Aquelas pessoas que passam algum tempo connosco numa determinada altura das nossas vidas e que depois desaparecem para sempre sem deixarem qualquer contacto e sem a hipótese de lhe seguirmos o rasto.
Não sei se será frequente para os outros isto acontecer, mas para mim é. Conheci muitas pessoas ao longo da minha vida que desaparecerem dela até hoje. E no entanto, são pessoas que não esqueço, quer porque me marcaram de alguma forma, quer porque me deixaram qualquer tipo de recordação física que as assinala.
Foram pessoas que na altura foram muito importantes para mim. Já escrevi uma vez sobre uma delas, o meu amigo Ghzim, o albanês, no post “Alguém e a velhice”. Mas como este, há muitos mais. Provavelmente não tantos como gostaria de ter conhecido, mas já em número suficiente para me considerar uma pessoa afortunada.
Mas a razão do post é mais do que isso. A verdadeira razão do post foi uma pergunta que me coloquei quando a dita sensação que já descrevi me invadiu ao longo das viagens. Será que essas pessoas se lembram de mim da mesma forma que eu me lembro delas? Será que também eu deixei alguma marca nas suas vidas?
Gosto de acreditar que sim. Gosto de acreditar que de vez em quando, também elas se lembram que um dia se cruzaram comigo, em algum momento da vida. Gosto de acreditar que fui importante no seu destino e que deixei a minha marca lá gravada. Gosto de ser uma oferecida e deixar um bocadinho de mim na vida de todos aqueles que se cruzam no meu Caminho.
Normalmente, opto por deixar algo mais do que a lembrança e por isso, gosto tanto de oferecer presentes. Gosto que as pessoas olhem para uma coisa e pensem, foi Ela que me ofereceu. Aquela rapariga, ou aquela mulher (como preferirem) que me deixou esta marca física.
Gosto muito de escrever coisas propositadas para alguém, do género dedicatórias e afins, uma vez que é algo único para aquela pessoa. Mas acima de tudo gosto de pensar que deixei a minha marca nos outros.
Gosto de acreditar que dei tanto como recebi. Que de alguma forma me tornei inesquecível e que há algo de mim nesses outros que se vão cruzando comigo. Como já disse, sou uma oferecida…
Escrito dia 3 de Setembro de 2006
3 comentários:
Que giro post! Confesso que nunca tinha pensado dessa forma.
Eu adoro ler e escrever dedicatórias pela razão delas serem extremamente personalizadas.
Às vezes também me pergunto se as pessoas se lembram de mim como eu me lembro delas...
Pitux: Pensamentos divergentes é o 2º nome deste blog!
Catarina: Eu pergunto-me isso muitas vezes e acredito que sim.
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