
Não sou dada a crónicas femininas, como já devem ter reparado pelo blog que mantenho.
Este espaço costuma ser mais um caixote de lixo, povoado de material reciclável, muitas vezes desprovido de valor para a maioria. Mas eu gosto dele assim...
Quando falo em crónicas femininas, estou a referir-me a textos escritos por mulheres cujo principal objectivo é caricaturar o mundo feminino por oposição ao masculino.
Não há aqui qualquer tipo de sentido pejorativo. Sou uma aficcionada desse tipo de crónicas. E também fã de séries como "O Sexo e a Cidade".
Se não escrevo coisas do género, é porque a minha veia criativa não me permite ir tão longe e fazer uma coisa dessas com qualidade. Por isso, limito-me a escrever os meus pensamentos e coisas que gosto.
Mas hoje abro uma excepção. E sendo que este será um dos meus primeiros textos do género as duras críticas não serão aceites. Nada se consegue sem esforço e persistência. Aqui inicio o meu trabalho nesse sentido.
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Se há coisa que me intriga é a genética feminina. Aquele conjunto de 46 cromossomas esquisitos que se agrupam em 23 pares, sendo que um deles tem a mania que é diferente e deixa ser de ser um automossoma para se chamar cromossoma sexual.
Aliás, acho até que toda a fonte da minha curiosidade deve residir nesses mesmos cromossomas ditos sexuais. Aqueles que são um pouco mais estranhos e que diferenciam homens e mulheres.
São cromossomas únicos, carregados de um património genético ao qual acho que está intimamente ligado um património cultural.
Senão vejamos... É sabido que durante gerações e gerações as mulheres pouco ou nada mudam. São elas as mães por excelência, as donas de casa exemplares, as guardiãs do lar, as equilibristas que fazem tudo em saltos altos and so on and so on...
Ora, eu acho!, que isso é um legado genético. Algo que se propaga nos genes e que caso não se herde das mães, estas vão logo dizer: "A mim não sais! És tal e qual o teu pai!".
Por isso é que os cromossomas sexuais me intrigam...
Mas aquilo que me verdadeiramente me intriga nas mulheres, é um gene em específico que desconfio que se situe nos ditos cromossomas sexuais.
O gene da Redenção!
E que é isso do gene da Redenção? - Perguntais vós, iluminados que tendes o bom-senso de ler blogs com qualidade como este.
O gene da Redenção... (Ora deixa cá ver, como me vou livrar desta e explicar isto, sem que as mulheres que me lêem me crucifiquem...)
Ora pois bem, o gene da Redenção, é um gene exclusivamente pertencente ao mundo feminino. É um gene fabuloso, cria ilusões extraordinárias que levam as mulheres a sonhar com o típico mundo feminino dos anos 50. (Por estas alturas, já milhares de mulheres fervem de raiva com o que escrevi!)
E digo mundo dos anos 50, porque não faço a mínima como tenha sido esse mundo feminino, nesses anos. Mas acho que serve na perfeição para ilustrar um mundo em que as mulheres sonham com um marido fabuloso, uma casa linda e um monte de filhos maravilhosos, seja isso no campo, na cidade, com barcos e carros de luxo e jóias à mistura, ou não.
Ou seja, o gene da Redenção é aquela coisinha ridícula que permite às mulheres acharem que vão redimir o homem de quem gostam. Que se ele sempre foi um cabrão, um mulherengo, um filha da puta e etc e tal, e é com elas que isso vai mudar. Porque no fundo, no fundo eles nunca amaram verdadeiramente ninguém e agora que ela lhes entrou na vida, agora sim! é que eles se vão redimir e perceber que isso não se faz à mulher que se ama.
O gene da Redenção é uma apanágio maravilhoso! Exclusivo das mulheres... Das apaixonadas, apenas!
17 comentários:
acerca de as mulheres desejarem sempre mudar, emendar, salvar o homem com quem estão, só mais um bocadinho de veneno [sob a forma de generalização estereotipada]:
parece-me que aqui reside um paradoxo, é que se não conseguirem mudar o homem que se propõem resgatar ficam irremediavelmente desiludidas [e, por causa de um outro gene muito chato e custoso de erradicar, o gene "nós-mulheres-é-que-somos-sempre- culpadas-de-tudo" sentem que foram elas a falhar] ou então são bem sucedidas [e, tal como com o fracasso, também se atribuem a si o mérito do sucesso] e perdem, pouco depois, o interesse no gajo - porque deixou de ser o tipo porque se tinham apaixonado.
(quanto à tua estreia nesse mundo delirante e revelador que é o das crónicas femininas, parabéns! continua)
fantástico!!!!
adorei este pedaço de prosa.
devias tentar mais vezes...
resta acrescentar que se os gajos não se redimem elas vão culpar o gene "cabrão" deles e viver como vítimas ou por-lhe as malinhas à porta.
A tua crónica está um espectaculo! Parabéns!
Fizeste-me foi descobrir(como se eu já nao soubesse) que saio mesmo ao Pai! (E que afinal a minha mãe sempre teve toda a razão)
E a ciência, a genética e a 100 sentidos explicam tudo e bem ;)
Este gene "específico"...confesso, que ainda não me preocupado muito com ele!!!!
Mas, agoara que acabei de ler este post...admito rever os meus conceitos sobre o tema!
Darei contas futuramente!!!!!
Bjks
O gene da redenção é de facto nosso. Contra factos não há argumentos. E agora que penso nisso chego à mesma conclusão... De facto, nenhum dos homens hetero verdadeiramente apaixonados que conheço tem esse gene...
Nós sonhamos, que bom...
Eles descomplicam, o que "algumas vezes" também é bom...
"Keep it simple" de certeza que foi dito pela primeira vez por um homem.
"Keep it clean"? Por uma mulher, claro.
Haja equilibrio!
Continuo à espera de mais crónicas.
Parabéns
Adorei esta crónica! Acho que devias continuar a escrever estes "venenos" femininos! E concordo plenamente (tu sabes...), nós temos tendência a achar que eles vão mudar por nós mas isso não é possível!
bjinhos,
xana
Sim, concordo. Pelo menos eu acho sempre que os posso mudar, até me aperceber que é impossível. Mas como sou persistente, ainda não desisti. O:)
O gene da redenção... conceptualizaste muito bem a coisa, mesmo ao jeito feminino. Para um homem as coisas são mais simples de serem perspectivadas. A redenção implica a esperança (tipicamente feminina) e a vontade (necessariamente masculina) – mesmo ao jeito da tua exposição. O problema é então a vontade e, por mais esperança envidada, nada muda se ela faltar.
Pode ser que a selecção natural se encarregue de ir sonegando o gene da redenção e um dia mais tarde ele se torne apanágio masculino. Até lá, pelo prazer que nos proporcionas com a leitura dos teus posts (é muito egoísta dizê-lo!), espero que continues esperançosa, apaixonando-te e escrevendo. Muito bom o teu blog.
Beijos
Belo blogue, voltarei sempre que ouder, abraços.
Eu não chamaria gene da redenção mas sim gene cinematográfico... fazer filmes desses e doutros é a nossa especialidade. Felizmente não é a única.
gOsTeI muito do teu post!
tenho ouvido ja estas mesmas palavras de outros homens mais eu são mulher e nunca ouvin a uma muler falar de tal coisa, de que na sua relação quer mudar ao seu home. acho que é algo inconsciete, é por a nossa cultura que crescemos pensando que o nosso fin na vida é encontrar ao principe azul e quando vemos que não há tal não queremos acreditar e autoenganámonos tentando mudar o...
Concordo completamente contigo! Eu tenho a certeza que possuo esse gene.Essa é, aliás, a unica explicação para eu ter tentado mudar um homem durante mais de 10 anos! Finalmente desisti...e pus-lhe as malinhas à porta!
Volta e meia tenho um pouco desse espirito mas desisto logo à primeira. Não sou de bater com a cebeça nas paredes.
Mas não é mania exclusivamente feminina, lamento desiludir. Aliás eu experimentei bem mais o inverso. Parece-me q é exclusiva de algumas almas apaixonadas.
os poucos q gostaram mto de mim sempre acharam q me iriam mudar, ajudar-me a ver -a-luz... ui
claro q me sinto pressionada. e há sempre dificuldade em entender um "nao obrigada", mesmo quando sou mto clara. mas parece q a maioria so entende quando lhe gritam, coisa q.. n é bem o meu filme.
enfim, normalmente espero q se cansassem..
gosto de iniciativa, mas em geral prefiro q se limitem a gostar de mim e a ajudar-me se eu peço ajuda.
e nos anos 50 as mulheres nao eram assim muito menos machistas do q são hoje..
(mulher machista = mulher servil dentro de uma sociedade machista; que serve o patriarcado. a mulher q veste as calças (genero Margaret Thatcher)é apenas aquela q veste a postura de um homem para vingar numa sociedade patriarcal..)
"Não se nasce, mas faz-se mulher. Não há nenhum destino biológico, psicológico ou economico que determine o papel que as mulheres representam na sociedade: é a civilização como um todo que produz esta criatura intermediária entre macho e eunuco, que é descrita como feminina"
Simone de Beauvoir, in O 2º Sexo
Eu espero nunca perder esse gene! Pois no dia que deixar de acreditar que as pessoas podem mudar é o dia em que deixei de me apaixonar ... viver sem paixão não é sequer viver é apenas existir!
Fabuloso, simplesmente.
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