Diário de Uma Quarentena #09042020



O principal motivo que me leva a manter este diário são na verdade as fotos. Poder parar um momento do meu dia quase sempre igual para encontrar uma imagem bonita, acaba por me relembrar a importância de algo que nos torna mais humanos: a beleza. Não será também à toa que em tempos de isolamento sejam as artes aquilo que mais é consumido pela grande maioria de nós. É aquilo que ainda nos vai lembrando de que somos humanos e há uma natureza interior que nos é intrínseca.

Hoje comecei o dia com 3 polícias fardados à porta na tentativa de salvamento do gato abandonado do meu prédio. Após lhe ter dito que se queriam entrar em minha casa teriam de se descalçar, ao que se recusaram (ahahahahah!) acabaram por chamar os bombeiros e o gato foi salvo pelas 11h50 desta manhã! Acho que fiz a minha boa ação da quarentena. Posso finalmente hibernar até isto passar?

Hoje foi dia de limpezas profundas e de uma renovação cá em casa. Após horas de limpar pó, aspirar, lavar vidros, lavar chão, etc senti a real necessidade de destralhar coisas cá em casa. Tenho planos de mudar de casa quando entrarmos em crise e o mercado imobiliário for finalmente para valores acessíveis ao comum dos mortais ou apenas a uma mãe singular. Always look at the bright side of life, right?

Li muito hoje. Notícias sobre a educação em tempos de COVID-19 que é a minha ára de estudo, artigos sobre isolamento e estratégias de lidar com isto, artigos sobre capitalismo, privacidade e solidão. Entretanto e como ontem percebi que preciso urgentemente de novos objetivos de médio prazo porque os que tinha estão suspensos ou permanentemente cancelados, ando a pensar escrever uma coluna sobre relações amorosas em tempos de quarentena. Retomei hoje um contacto sobre o assunto e escrevi o primeiro rascunho. 

Almocei peixe assado no forno com batatas cozidas e pimentos assados. Posso ser mais portuguesa nestes dias? Houve batido de açaí à tarde e fiz umas bruschettas para o jantar acompanhadas de 2 copos de Soalheiro, o melhor vinho verde que conheço! Pelo meio voltei ao pudim de coco, tapioca e manga (este que está na foto!) e no qual estou viciada. Aquilo é um manjar dos deuses exóticos! 

No final do dia a notícia de que dificilmente volta a haver escola este ano deixou-me de rastos. Não faço a mínima ideia de que como vou trabalhar e cuidar do meu filho até Setembro. Já para não falar de todos os impactos financeiros desta situação, temo que a minha saúde física e mental sofra bastante com esta situação. Tenho tentado ver coisas positivas ultimamente mas confesso que nestes últimos dias está muito difícil dissipar as nuvens negras que estão no horizonte. 

2 comentários:

Nada disse...

Ainda muita agua vai passar debaixo da ponte...vamos ser pacientes que ainda pode ser que as coisas mudem, porque a solução não é viavel para ninguem.
E sim...podoes hibernar...mas só um bocadinho (porque tens que me passar a receita dessa sobremesa que jasussss tem bom aspecto =P)

Ana A. disse...

Nada, esta sobremesa é a coisa mais simples que há!
1 lata de leite de coco numa panela até ferver, juntas 2 colheres de sopa de açúcar e 2 colheres de sopa de tapioca e vais mexendo até engrossar. Provavelmente terás de juntar um pouco d eleite normal também, depende muito da consistência que gostes.
Apagas o lume, juntas coco ralado a gosto (eu gosto bastante por isso mais 2 colheres de sopa) e pões nas taças. Terminas com manga cortada aos cubos por cima.
Eu gosto disto frio, mas quente é igualmente bom. Come como te apetecer!

Espelho:

 Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.