Hoje o dia foi um desafio à paciência, ao multitasking, ao tempo, a tudo! Pelas 8h30 o meu filho acordou mas eu não. Tinha acordado às 7h, mas fiquei na cama e acabei por adormecer. Quando ele despertou eu estava mais para lá do que para cá. Limitei-me a rosnar um sim à pergunta: "Posso ir ver os desenhos animados na televisão?" e voltei aos braços de Morfeu (já que são os únicos onde devo estar este ano!) até próximo das 9h30.
Por essa hora, lá me arrastei para fora da cama, tratei do pequeno-almoço, vesti-nos, já que hoje tinha de ir às compras, e comecei o dia. Mais uma aula da criança, desesperante para ele e consequentemente para mim. Ele quer é brincar, está zero interessado em aprender seja o que for. E nesta fase da vida e do Mundo a última coisa que me apetece é comprar guerras com ele para o obrigar a uma coisa que é manifestamente desadequada à idade dele.
Depois da aula dele acabar, fomos dar um passeio a pé, já que na hora habitual do passeio (18h) eu tinha reuniões marcadas! Chegámos a casa pela hora de almoço e um Frango à Brás e uma taça de morangos depois, ele foi fazer a sesta e o meu Bombeiro veio cá tomar conta dele enquanto eu fui ao supermercado abastecer-me de frescos para a semana.
Cheguei a casa um pouco antes das 16h e o meu filho ainda não tinha pregado olho. Adormeceu pouco depois e só acordou da sesta às 18h. Obviamente que aterrou já próximo das 23h, mesmo depois de já estar na cama há mais de 1h! Eu trabalhei umas horas quando cheguei, lanchei na minha varanda ao sol e retomei as reuniões pelas 18h até à hora de jantar, porque amanhã pelas 8h30 há 125 pessoas para receber como se de um família se tratasse, já que muitas delas pertencem efetivamente à família que fui criando a Norte.
O Bombeiro acabou por estar aqui a brincar com ele, enquanto eu reunia com a minha incrível equipa de 16 seres humanos fantásticos que fazem esta loucura comigo. Quando terminei desenrasquei umas bruschettas para jantar que me souberam pela vida e me levaram de volta aos meus jantares sozinha na minha casa de Campo de Ourique enquanto comia sentada no chão da sala e apreciava a paisagem e fumava um cigarro na minha varanda, um espaço que foi um bálsamo curativo para a minha alma naqueles anos.
Acabei agora de preparar uma brincadeira para o evento de amanhã e estou prestes a fechar a loja, porque amanhã acordo mesmo com despertador que há coisas a afinar sempre em cima da hora e tenho um bom motivo para estrear um vestido novo e pôr a minha maquilhagem básica! Este mês tive zero vontade de fazer este evento, mas sinto-me responsável pela Comunidade que criei neste quase ano e meio aqui no Porto, tenho um imenso respeito por estas pessoas e por isso mantenho-me a fazer isto ainda que com algum esforço. Estou contente de no meio deste caos todo ainda ter esta Comunidade sólida que me vai acompanhando e acredita muito em mim.
Na minha ida às compras hoje escolhi propositadamente o caminho mais longo para chegar ao supermercado. Já não conduzia há semanas e hoje estava um verdadeiro dia de Primavera que me fez andar de vidros abertos e relembrar com tenho saudades da minha liberdade de ir, fazer, concretizar. Estou há quase 7 semanas em casa e já está a ser muito duro aguentar, ainda que com todos os ajustes que fui fazendo. Recebi esta semana um email para preparar o regresso ao trabalho a partir de 4 de Maio, mas não faço a mínima ideia de como é suposto gerir uma criança de 4 anos sem escola e todo um mundo de trabalho pela frente.
Decidi que nesta fase só se vive um dia de cada vez, pelo que nem vale a pena pensar muito nisso. Esta semana, a malta anda na rua como se nada tivesse acontecido e já não houvesse nenhum perigo, pelo que é uma incógnita saber como é que o país vai reagir a isto e imaginar quando é que acabará o Estado de Emergência. E até lá, a minha opção é não pensar sequer no assunto. Quando chegar logo se resolve. Até porque já provei a mim mesma, várias vezes que há poucas coisas que eu não seja capaz de resolver nesta vida!
Sem comentários:
Enviar um comentário