Diário de uma Quarentena #27042020



Tenho estado ausente deste registo porque desde sexta que estou em modo retiro offline. Depois do meu evento online decidi que precisava de um fim-se-semana longe da internet e desliguei as redes até hoje. Vi apenas o Instagram para comentar o novo Big Brother que estreou ontem.

Estar offline durante cerca de 3 dias pode signifcar estar isolada, mas não foi o caso. Houve visitas no Sábado, houve uma caminhada de 2 horas em plena Natureza, e essa ligação é a mais forte de todas, e houve telefonemas que duraram horas. Senti-me mais ligada do que na maior parte dos dias em que estou online.

Hoje voltámos ao ritmo. O meu filho acordou pelas 9h porque ontem andámos imenso a pé os dois e ele caiu na cama e dormiu cerca de 12h. Tive de nos despachar a correr porque havia aulas online para ele às 10h30 e eu tinha imenso trabalho para fazer esta manhã, fruto do dia que estive off na sexta! Assisti a mais um tortura de quase 1h em frente ao tablet. Definitivamente isto não funciona e eu questiono-me porque continuo a insistir numa atividade que nos faz mal aos dois em nome de uma pedagogia que nem sequer acredito. Esta suposta nova normalidade está a revelar-se uma atrocidade na vida do dia-a-dia de nós os dois e estou numa fase muito favorável à pedagogia Montessori!

A seguir ele foi fazer construções com legos, eu respondi a emails urgentes e fomos os dois fazer o almoço. O meu sonho de o inscrever no Masterchef Júnior está um passo mais perto de se tornar realidade! Almoçámos, ele foi dormir a sesta e eu estive num webinar sobre o futuro das relações amorosas. Algumas das coisas ali faladas já as vejo a acontecer nas pessoas à minha volta. E curiosamente acho-me muito mais resiliente do que alguma vez imaginei. Achei que sofreria muito mais com este distanciamento do que se tem revelado verdade, mas tenho sentido uma paz e uma tranquilidade que nem eu esperaria!

Durante a tarde, acabei de escrever um artigo para o Público que deve sair esta semana e comecei a preparar o evento do próximo mês do meu projecto do coração. Recolhi mais uns dados para a tese, reformulei algumas coisas que serão fruto deste tempo que estamos a viver, tratei uns questionários, enviei mais uns emails e acabei a tarde numa reunião com a Equipa onde saí com mais coisas para pensar.

O jantar já estava despachado desde a hora de almoço e também tenho comida feita para mais 2 dias. Isso liberta-me bastante para trabalhar a sério nos dias que se seguem. Hoje não saí para o passeio habitual porque já acabei o dia de trabalho tarde, mas o meu filho estava a precisar de ter ido espairecer. Amanhã tenho de sair para ir comprar fruta e vegetais e vou ver como corre levar a criança de máscara à rua! 

Pelo meio ando a ler coisas interessantes sobre a psicologia junguiana e estou claramente a ver os pontos do meu mapa mental a unirem-se. Tenho sonhado imenso e acho que é fruto destas escavações à psique que ando a fazer.

Hoje na minha reunião de final de tarde falávamos sobre esta nova normalidade. E eu já estou tão habituada a ela que vai parecer-me imensamente estranho quando voltar a deixar de ter o meu filho em casa, quando tiver de sair para o meu local de trabalho, quando voltar a encontrar amigos num sítio público. Acho que não me apetece muito já sair desta rotina. Não sei bem como é que vai ser este regresso à normalidade...

Por aqui os dias passam tranquilos e rápidos! Sinto falta de alguns momentos de passeio, mais do que de momentos sociais. Esta pandemia veio mudar por completo muitos dos meus planos para este ano de 2020 e isso vai-me "obrigar" a repensar decisões que eu já tinha tomado. Estou a avaliar alguns dados que dava por adquiridos a repensar fazer mais coisas do que tinha inicialmente previsto. E tenho também a sensação de que no final disto vou levar uma reviravolta das grandes. Há pessoas que não se cansam das mesmas batalhas.

Vejo muito este confinamento como treino. O que não nos mata, torna-nos mais fortes e este tem sido um período de fortalecimento.

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Espelho:

 Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.