Instantes:


Comprei a casa onde agora vivo no ido ano de 2009 num mês de Outubro quente. Lembro-me de ter tido a ideia de comprar uma casa e do espanto que senti porque os meus pais apoiaram em vez de me demoverem do intento. Lembro-me de me sentir muito adulta a fazer a escritura com a notária e não fazer a mínima ideia do que era o IMI, da sensação importante ao assinar um cheque de mais dinheiro do que aquele que tinha, da felicidade de ter a chave na mão e me ter tornado proprietária de 4 paredes e um tecto que me iriam albergar em todas as circunstâncias.

A casa onde agora vivo é uma versão 2.0 daquela que comprei. Fui coleccionando objetos bonitos que a foram decorando e trouxe comigo muitas coisas sentimentais que comprei para fazer o meu ninho quando vivia em Lisboa.

Neste momento a minha casa é um emaranhado de vidas, tal como eu própria. Nela coabitam pacificamente almofadas fashion que sempre me lembram da Madonna e dinossauros da criança que se espalham por todo o lado. A minha casa é um reflexo da minha vida. E o que se avista nesse espelho é suficiente para me fazer feliz. 

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Espelho:

 Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.