Passei a levá-las comigo sempre que viajo. Já percebi que se andar sempre a saltar de sítio nem lhes toco. Mas se assentar arraiais num sítio volto a elas todas as manhãs.
Guardo-as numa bolsa que comprei em Atenas porque a caixa já se estragou à muito. Já foram a pelo menos 6 países: Malta, Itália, Grécia, Áustria, Suíça e Eslováquia. Acalmaram-me o coração e a alma na véspera da audiência em tribunal da guarda do meu filho.
Geralmente vejo-as de manhã depois de beber o café e é um ritual que já me habituei a ter e que me dá o mote do dia. Há dias em que têm mensagens para mim e por isso desatam a sair sozinhas. Há algumas que temo e não gosto. Há outras que parecem sorrir-me e piscar o olho. Fiz amizade com várias pela frequência com que me visitam.
Às vezes acho que estão viciadas porque se repetem dia após dia. E eu queria que a mensagem fosse outra. Aprendi a lê-las quando o Doutoramento me extorquiu toda a intuição da alma e levou a racionalidade a um patamar inimaginável. Aos poucos devolveram-me o dom de conseguir antever as mensagens do Universo mas continua sempre a ser mais fácil entendê-las para os outros do que para mim mesma.
Há dias em que acho que são apenas mais uma das minhas estratégias de controlar o mundo e dar ordem ao caos interno que me habita. Há dias em que as vejo noutros sinais. Há momentos em que uma fórmula ou uma teoria é a representação exacta de uma delas. Já lhes dediquei mais tempo. Agora são um calmante da alma, como quem pinta ou cultiva uma horta.
Tenho várias com desenhos diferentes e tenho fases em que algumas comunicam melhor comigo do que outras. Há momentos em que uso umas em particular porque quero lançar um mote diferente também. Já as li a outros e geralmente no ano novo dedico-lhes uns dias de reflexão. Devia dedicar-lhes mais tempo, mas não sinto ainda que seja o momento. Preciso de as estudar mais e melhor.
Para já são um conforto que transporto comigo e que me ajuda a navegar os dias. São uma das maiores expressões de mim e nenhum homem da minha vida sabe da sua existência. Também porque entraram na minha vida na fase de celibato. São como um hábito que me veste!
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