MDC

Movimento de Defesa dos Clichés: Porque ele existem na vida real e não só nos filmes.

Saldos 2023:

2 bikinis e um vestido para mim.
6 calções, 3 pares de calças e 1 sweater para a criança. 

Gratidão.

Hoje morreu alguém que eu conhecia mal mas que me deu para as mãos uma lanterna num dos momentos mais escuros da minha vida. 

Fuga:

Ando a fugir de pôr no papel todas as emoções tramadas que estão presas cá dentro.

Lofoten


Estou de pé junto à entrada da baía do mar, com uma gabardine amarela vestida e um vestido de lã às riscas. Tenho calçadas umas botas peludas e felpudas e na cabeça um gorro branco. Estou apoiada numa árvore ali ao pé porque a barriga da gravidez já está demasiado pesada para estar de pé tanto tempo. Estou à espera de ver o avião aterrar e perceber se as encomendas que fiz para a bebé que vai nascer já chegaram.

Quando olho novamente vejo-te a chegar do final do dia de trabalho a pé. Trazes umas calças azuis escuras, uma camisa xadrez e uma camisola de lã branca. Por cima vestes um sobretudo castanho e umas botas também castanhas nos pés. Vens com aquele sorriso que eu adoro vestido e que me derrete nos lábios e sei que o dia te correu bem. Mas quando te olho nos olhos detecto alguma apreensão embora a tentes disfarçar. 

Enquanto vens ter comigo, o avião aterra. Em breve saberemos se as nossas encomendas chegaram. Entretanto comecei a andar em direcção a casa e parei encostada à carrinha azul clara que está estacionada do outro lado da rua. O céu está tipicamente cinzento como é apanágio destes dias nesta altura do ano, mas sinto que esta é a melhor luz que podia ter nesta fase da minha vida.
Damos as mãos e entramos em casa. A salamandra do meio da sala já deixou tudo bem quente. Descalçamo-nos e tiramos os casacos. Vais para a cozinha fazer o jantar enquanto eu subo ao quarto para ver o meu filho mais velho e saber como lhe correu o dia. Cheiro-o quando lhe dou um beijo e por momentos lembro-me dele ainda bebé. Que saudades de o ter no colo... Pergunto-me como vai ele reagir à chegada desta irmã. Falamos uns minutos sobre a escola e os amigos e deixo-o perdido nas músicas e jogos dele. Dirijo-me ao quarto para tomar um banho quente e penso em como vai ser tão diferente esta experiência de ter uma filha noutro país completamente distinto. Aqui o parto vai ser em casa. Tenho algum medo mas resta-me confiar. A hipótese de ir para outra cidade e estar lá sozinha não me faz sentido.

Saio do banho e tu já estás a entrar no quarto. A casa já cheira a comida de conforto. Nem nos meus melhores sonhos acreditei ser possível ter uma nova vida assim. Uma vida noutro país, um homem com o melhor coração que conheço, uma outra filha na minha barriga e uma casa que adoro numa cidade tão recôndita que a maioria nos meus amigos nem sabe onde é. Nunca sonhei que o meu paraíso podia ser esta paz.

Vejo a tua barba loira e pergunto-me como será a mistura desta nossa filha que cresce na minha barriga. Estou com muita vontade de a conhecer, mesmo sabendo que os próximos meses vão ser extremamente difíceis na minha vida. Um recém-nascido nascido é dos maiores desafios que conheço. E eu tenho muitas coisas para curar com a chegada desta filha.

Visto o pijama e desço à cozinha, ponho a mesa porque hoje quero muito jantar em família. Quando o jantar termina ponho a loiça na máquina e deito-me no sofá. Quero aninhar-me nos teus braços, meu marido, e deixar que a Alice dê pontapés na barriga até se cansar e me deixar adormecer.

Adormeço no teu colo, com o calor da salamandra espalhado pela casa. Acordas-me suavemente e amparas-me até chegar à cama e adormecer com a chuva a cair lá fora e o nevoeiro que entretanto se espalhou na vila. Enrosco-me em ti enquanto me aqueces os pés e me fazes festinhas na barriga como sempre gostei. A Alice já adormeceu há muito e eu estou quase a adormecer também, embalada por ti e por ela. Nunca pensei que pudesse voltar a ser feliz desta forma.

- Takk for at du er en del av livet mitt -  sussurro-te ao ouvido enquanto me deixo levar pelo sono que regressou. 
- Jeg elsker deg - respondes tu de volta.

Aqui encontrámos a nossa paz.

Sirmione:

Veio uma Ana e volta outra.

Old habits:

Estar tão cansada que amaldiço a viagem que marquei. Arrepender-me 20 vezes de passar férias longe de casa. Contar o número de voos a sair ao mesmo tempo e calcular o número de pessoas na fila da segurança. Levar roupa sem cinto nem metal. Despejar a garrafa de água para depois encher no wc. Chegar ao aeroporto apenas com 1h de antecedência e ainda assim esperar. Chorar dentro do avião. Chegar ao destino e sentir que estou novamente em flow.

Tristemente concluo:

A grande maioria das pessoas que eu conheço proclama que quer honestidade mas fica agarrada a jogos emocionais. 

Dissonância:

A mesma pessoa que nos feriu foi também a pessoa que antes nos curou.

Transparência:

A quantidade de posts que escrevo é proporcionalmente inversa ao meu estado de tranquilidade emocional.

Tiro ao lado:

O difícil é acertar.

Pergunta para queijinho:

Porque é tão difícil às mulheres aguentar a vulnerabilidade de um homem?

A vida aos (quase) 40:

É a esquizofrenia constante entre acreditar e ser cínica.

E tu sabias.

Eu estava mesmo a apaixonar-me.

As Mais Perigosas:

As mentiras mais perigosas são aqueles nas quais, consciente ou inconscientemente, escolhemos acreditar.

Eu nem sou disto...

Mas não imagino o que seja ser uma criança nos EUA e ter medo de ir para a escola porque pode haver um tiroteio em massa.

E como é que estamos em 2023 e ninguém faz nada?!?!

7.º Aniversário

Os únicos dois pedidos do meu filho para o aniversário dele foram:
  1. Ir jantar a um rodízio de pizzas.
  2. Ir ao chinês ver eventuais presentes para comprar.
Deus@ abençoe a simplicidade dos homens!

Herege:

A catequista do meu filho enviou uma mensagem a dizer para ele levar a Bíblia para ser benzida amanhã na Eucaristia e eu percebi que não há nenhuma Bíblia cá em casa! 

Pontos altos de 2022:

Janeiro

  • Decidi que queria mesmo voltar ao mercado de trabalho e comecei a procurar emprego.  

Fevereiro: 


Março:
  • Voltei à Prova Oral. Comprei flores semanalmente para mim mesma.

Abril: 
  • Voltei ao ginásio religiosamente 3x por semana. Enfrentei uma cirurgia do meu filho sozinha. Tive amigos que foram o meu pilar.

Maio: 
  • Fiz a minha primeira Street Wisdom Tour. Fui ao teatro ver os Monólogos da Vagina. Recebi uma planta dos meus alunos da Faculdade.

Junho: 
  • Regressei a Lisboa. E a Tavira.  Voltei a estar de férias com amigas e percebi o quanto me sentia sozinha.

Julho: 
  • Mudei de ginásio e passei a ver bombeiros sempre que lá vou. Cortei o cabelo. Criei amigos entre os vizinhos. Apaixonei-me e parti o coração (outra vez!). Velejei no Atlântico. Fui vacinada.

Agosto: 
  • Criei uma equipa de quizz chamada "De 4 não é amor!". Fui ao baptizado da filha mais nova da minha melhor amiga. Regressei ao meu local de férias de infância. 

Setembro: 
  • Fui dispensada do meu trabalho no último dia do meu período experimental de 6 meses. O meu filho entrou no 1.º ano da escola. 

Outubro: 
  • Voltei a Lisboa e matei saudades. Voltei ao 

Novembro: 
  • Voltei a Atenas em trabalho e encontrei parte do meu flow!
  • Fui a Guimarães ver o "Deixem o Pimba em Paz!" e cantei até me faltar a voz!

Dezembro: 
  • Voltei a Atenas. 
  • Reuni a família Tinderella num jantar. 
  • Convidei um desconhecido para uma ideia louca. 
  • Fiz anos rodeada das pessoas chave no Porto. 
  • Percebi que é possível.

Sobre ser mãe.

Ir fazer leite creme para a cria às 20h30 porque ele teve desejos!

Espelho:

 Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.