Cartas do do Desconfinamento #1




Queridos Leitores,

Tem-me sido muito difícil publicar esta espécie de diário. Não porque me seja difícil escrever, mas porque é complicado arranjar o tempo todos os dias para este exercício. Num destes dias parei para reflectir e percebi que este processo de escrita me foi essencial nesta fase da vida e do mundo. Ajudou-me muito a equilibrar a vida, as emoções e tudo o que acontecia dentro e fora de mim. E relembrei a importância da escrita na minha vida e o quanto ela exige prática se se quer bem feita. Como me disse uma amiga, este processo de escrita foi o meu bote salva-vidas nesta quarentena. E por causa disso, decidi tornar isto numa espécie de correspondência de cartas virtuais que vou deixando espalhadas por aqui e irão ser recebidas por quem precisar delas...

Esta semana fiz uma apresentação num evento internacional onde me permiti explorar experiências de escrita e narrativa, emoções e arquétipos e ainda por cima em Inglês, com pessoas de 3 continentes diferentes! Foi uma estreia que apesar de não ter sido arrebatadora, ainda assim correu bem e acho que deixou coisas para as pessoas pensarem. Estou capaz de o replicar por outros sítios mais!

Também esta semana acordei cedo com um sonho que mexeu comigo emocionalmente, mas voltei a adormecer para prolongar a sensação quase estranha que já não me lembrava de sentir há muito tempo... Depois disso levantei-me e fiz o meu café da praxe que se tornou um ritual que muito aprecio - ando a sonhar com a compra de uma cafeteira de filtro! - e vi um episódio de uma das melhores séries do momento Mal Amanhados: Os Novos Corsários das Ilhas. Não só porque retrata a magia dos (meus) Açores, mas porque me lembra aqueles programas do Anthony Bourdain nas suas viagens gastronómicas à volta da mundo. É parecido mas numa versão histórica e cultural das ilhas. 

Acabei por trocar um par de mensagens com o Luís Filipe Borges (que já foi meu professor de escrita criativa!) para lhe dar os parabéns pelo excelente trabalho e ele próprio confirmou que as séries do Bourdain fizeram parte desse imaginário que ele próprio criou para os Mal Amanhados. 

Ainda nas coisas digna de nota nestes dias (que não são evangelização do mundo mas podiam!) continuo no meu processo de deixar de comer carne e descobri uns hamburgueres vegetarianos deliciosos do Lidl, que comprei por acaso mas dos quais estou muito fã! Recebi um aspirador novo que comprei online ontem e fiquei num excitex! A primeira coisa que fiz foi abri-lo e começar a aspirar a casa! A pessoa (adoro falar de mim mesma na 3.ª pessoa!) sabe que nunca mais vai ser a mesma quando o ponto alto do seu dia é aspirar a casa! Send help...

E na parte das memórias, ontem em conversa com um moço acabei por me lembrar desta foto e do dia em que subi ao cima da Ponte 25 de Abril. Já passaram 5 anos! Caraças, já cumpri tanta coisa na vida que às vezes me pergunto como consigo ainda ter sonhos e coisas por realizar. Acho que esta capacidade inata de explorar, esta fome de viver, esta vontade de fazer me tem levado a muitos sítios onde nunca imaginei estar. 

Termino com uma música que me tem servido de companhia nestes dias e que me vai levar a outras reflexões. Não prometo que amanhã, mas de certeza que ainda esta semana.




1 comentário:

Handsomed.74 disse...

magnífica música. desconhecia banda. faz muito a minha praia.obrigado

Espelho:

 Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.