A primeira vez em que viajei a trabalho para fora do país tinha 26 anos e fui a Berlim a meio de um Inverno que me congelou os pés, o nariz e o cabelo que escapava pelo gorro cor-de-rosa.
Lembro-me do Tiergarten coberto de neve e de olhar para aqueles prédios claramente comunistas e ser fácil imaginar uma Berlim dividida pelo Muro. Voltei a Berlim várias vezes nos anos seguintes - deve ser provavelmente a cidade para onde mais viajei - e o Tiergarten só aumentou na mística que o envolve. As cores e o cheiro que o caracterizam são únicas, independentemente da estação do ano. O silêncio ali é sempre um denominador comum, independentemente do mês em que o visitemos. Berlim é uma cidade magnífica.
A minha primeira fotografia de pés no chão foi tirada ali, há mais de uma década. Havia qualquer coisa no chão que mo meio da neve me captou a atenção e acabou por me obrigar ao registo fotográfico. Não me lembro ao certo o que era, mas sei que passei a fotografar pés no chão em cidades como Praga, Budapeste, Havana, Nova Iorque, Rabil, Istambul ou Tel Aviv. Em cada sítio onde viajo sozinha há uma fotografia dos meus pés no chão.
Hoje encontrei Vénus no meu caminho e achei que era uma mensagem do Universo. É preciso confiar que os astros, os Deuses ou apenas nós próprios estamos no caminho certo da Vida.
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