Diário de uma Quarentena #19.01.2021



Hoje acordei com o despertador pelas 7h30 e com esta música que está aqui em cima. Achei que era um óptimo mote para o dia nem sei bem porquê. Dormi pouco, porque "Bicho" ontem e acabei por sonhar a noite toda com as preocupações da pandemia. Neste momento não tenho medo da COVID, tenho mesmo é medo de precisar de um médico e do SNS e não ter vaga num hospital, seja porque motivo for. Porque a COVID não eliminou as outras doenças, nem impediu os acidentes. Isso somos nós que temos de tentar evitar todos os dias. Também por isso decidi suspender os meus Jantares da Quarentena, que habitualmente aconteciam ao Sábado à noite com os meus 2 amigos que também vivem sozinhos. Se isso deixar de acontecer por muito tempo, desconfio que vou perder uma bóia que me aguentou à tona no primeiro confinamento. Mas parte de mim sente-se egoísta em manter isto, apenas para o meu próprio e único proveito. Portanto a decisão está tomada para as próximas semanas. É aguardar e aguentar!

Acordei bem antes do meu filho e decidi meditar. Desde o início de 2021 esta tem sido uma das minhas resoluções que tenho tentado cumprir diariamente. A par com o acordar com despertador, 3 anos depois de deixar de o fazer achei que estava na hora de voltar a imprimir mais alguma produtividade e rentabilidade aos dias. E, na senda das resoluções de Ano Novo, decidi também criar um mini-escritório em casa, ou seja, um espaço de trabalho apenas meu. É assim uma espécie de girl cave. Um dia mostro como ficou a coisa. Ainda não está pronta, porque estou à espera que me entreguem a cadeira que demorava 3 semanas a chegar e com isto do confinamento nem sei.

Entretanto despachei-me a horas normais e decidi ir fazer a minha caminhada logo de manhã. Acabei por encontrar esta luva perdida no chão com uma mensagem que nem eu sei bem interpretar. Mas foi engraçado porque me lembrou de uma coisa incrível que conheci na semana passada, a Street Wisdom, uma iniciativa mundial em que a sabedoria está sempre disponível e é encontrada nos pequenos sinais que nos rodeiam. E isto é tão a minha crença e o meu modo de vida que até me arrepiou. Fiz um workshop online sobre isto e inscrevi-me logo como Embaixadora. Esta é uma das primeiras coisas que vou organizar quando a pandemia abrandar e podermos voltar a andar na rua.

Passei a manhã ao telefone com uma amiga que estava num dia mais em baixo, enquanto caminhava e fazia as compras da semana no supermercado e pelas 13h fui almoçar porque à tarde tinha gravações no Porto Canal e precisava de me despachar e estar apresentável. Acabei por deixar a casa virada do avesso, mas pelas 16h saí para o programa e aquela 1h30 num estúdio de TV deram-me uma sensação de paz e normalidade que me ajudou a acalmar. Saí de lá linda com aquela maquilhagem. Ouvi elogios rasgados na escola do meu filho quando o fui buscar. Eis um bom motivo para a escola não fechar!

Voltei para casa às 18h30, andei a arrumar tudo, passei a ferro e despachei o jantar porque pelas 22h há Bicho novamente, com o Gustavo Carona que já tive oportunidade de entrevistar em Novembro nas CreativeMornings Porto. Hoje senti o dia como mais normal. Mas a verdade é que vi demasiadas pessoas na rua para um estado de confinamento que devia ser mais restritivo ainda do que em Março. Acho que estamos todos cansados, desesperados, desanimados e isso torna-nos muito menos empáticos para com as reais necessidades do país. Estou cansada de ver as minhas redes sociais pejadas de críticas ao Governo, às eleições, aos Ministros. Vivemos um tempo ímpar e por isso é tempo de nos unirmos na frente da batalha ao vírus e não entrarmos em lutas e desgates de outra natureza. É tempo de amarmos radicalmente o próximo. De nos permitirmos sentir, chorar, desesperar, mas nunca esquecer que não estamos sozinhos. Podemos estar mais isolados, mas estamos juntos no mesmo planeta.

Que sejamos radicalmente humanos.

Sem comentários:

Espelho:

 Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.