O individualismo rouba-nos o que temos de mais humano em nós.
Ou daqui a 20 anos!
No Natal. Nos aniversários. Nas crises e nas conquistas. Nas perdas. Nas mudanças. Em caso de urgência e de emergência. Quando as saudades forem insuportáveis. Quando a vida te trocar as voltas. Em todos os cruzamentos do caminho. Quando o inesperado nos bater à porta. Quando a tua decisão for outra.
Amuleto.
Passei a levá-las comigo sempre que viajo. Já percebi que se andar sempre a saltar de sítio nem lhes toco. Mas se assentar arraiais num sítio volto a elas todas as manhãs.
Guardo-as numa bolsa que comprei em Atenas porque a caixa já se estragou à muito. Já foram a pelo menos 6 países: Malta, Itália, Grécia, Áustria, Suíça e Eslováquia. Acalmaram-me o coração e a alma na véspera da audiência em tribunal da guarda do meu filho.
Geralmente vejo-as de manhã depois de beber o café e é um ritual que já me habituei a ter e que me dá o mote do dia. Há dias em que têm mensagens para mim e por isso desatam a sair sozinhas. Há algumas que temo e não gosto. Há outras que parecem sorrir-me e piscar o olho. Fiz amizade com várias pela frequência com que me visitam.
Às vezes acho que estão viciadas porque se repetem dia após dia. E eu queria que a mensagem fosse outra. Aprendi a lê-las quando o Doutoramento me extorquiu toda a intuição da alma e levou a racionalidade a um patamar inimaginável. Aos poucos devolveram-me o dom de conseguir antever as mensagens do Universo mas continua sempre a ser mais fácil entendê-las para os outros do que para mim mesma.
Há dias em que acho que são apenas mais uma das minhas estratégias de controlar o mundo e dar ordem ao caos interno que me habita. Há dias em que as vejo noutros sinais. Há momentos em que uma fórmula ou uma teoria é a representação exacta de uma delas. Já lhes dediquei mais tempo. Agora são um calmante da alma, como quem pinta ou cultiva uma horta.
Tenho várias com desenhos diferentes e tenho fases em que algumas comunicam melhor comigo do que outras. Há momentos em que uso umas em particular porque quero lançar um mote diferente também. Já as li a outros e geralmente no ano novo dedico-lhes uns dias de reflexão. Devia dedicar-lhes mais tempo, mas não sinto ainda que seja o momento. Preciso de as estudar mais e melhor.
Para já são um conforto que transporto comigo e que me ajuda a navegar os dias. São uma das maiores expressões de mim e nenhum homem da minha vida sabe da sua existência. Também porque entraram na minha vida na fase de celibato. São como um hábito que me veste!
Verão 2023:
O sabor de uma Coca-Cola com gelo e limão. A luz do final de dia na minha varanda. Um cigarro ao final da noite. O cheiro do meu filho enquanto dorme enroscado em mim. A minha pele dourada pelo sol do Algarve. A sensação de renovação depois do primeiro banho de mar. Os primeiros acordes de uma música que sei que me vai acompanhar muito tempo. O sopro do levante no final do dia. O fascínio do fogo de artifício numa noite de festa. A chuva de Perseidas numa praia. Uma frase sussurrada ao ouvido. O toque de umas mãos nas minhas costas nuas.
A vontade de devorar um livro até ao fim. Uma frase num livro ou num filme que parece escrita e dita para nós. O abraço de uma amiga que não víamos há muito tempo. A confiança para chorarmos as nossas dores em frente a alguém em quem confiamos. Um brinde às novas amizades. O flirt com alguém que nos olha com deslumbramento. A exuberância de uns brincos novos. O sabor das torradas logo de manhã. O cheiro do café. Uma bola de berlim com creme na praia. O meu filho a dançar num sunset. A ausência de horários para seja o que for. A sensação de frescura dos banhos de mar. Rapazes musculados despidos pelos areais e a lembrança da juventude.
As gargalhadas de felicidade enquanto salto com o meu filho as ondas que rebentam aos nossos pés. As brincadeiras na água fresca da piscina. O abraço que ele me dá enquanto me diz que sou a melhor mãe do mundo. A cantoria no carro quando passa uma música que os dois gostamos. Ovos mexidos ao pequeno-almoço. As piadas parvas e leves partilhadas com os amigos que nos conhecem bem. Os almoços de Domingo que me lembram da família de coração. Panquecas com Nutella a qualquer hora. Os brindes a uma vida longa com quem gostamos e queremos manter na nossa vida. O sumo do melão ou da melancia que nos escorre pelo queixo abaixo.
Atravessar a Ponte de vidros abertos enquanto cantamos a plenos pulmões. Almoços à beira-mar na Costa. Rever amigos que nos fazem falta mas vivem longe. Voltar ao teatro. Regressar aos Jardins da Gulbenkian. Voltar a fazer a A5 a voar baixinho com banda sonora da Radar. Olhar para uma janela onde já fui feliz. Sentir a maturidade na pele.
Um macacão sem costas. Um copo de Soalheiro bem gelado na mão. Um brinde ao que o futuro nos promete. Uma noite que dura muito tempo. Jantar num terraço numa noite quente. Experimentar sítios novos. Um cocktail novo. Reencontrar velhos conhecidos. Voltar às aulas de yoga. Despedir-me silenciosamente de pessoas que já não fazem sentido. Aceitar o desconforto. Não perder de vista a pessoa que quero ser.
Um abraço onde queremos permanecer. Abraços que permanecem até sentirmos que estamos seguros ali. Vestidos que esvoaçam com o vento da noite. Um olhar que me despe independentemente da idade. Um copo com uma bebida alcoólica na varanda do hotel. Andar descalça a maior parte do dia. Noites quentes que nos dão vontade de fazer amor. Fazer amor. E sexo também.
Caminhos separados.
Foste, até agora, o maior amor da minha vida porque foste aquele que mais me permitiu expandir-me, crescer e ser mais autêntica, íntegra e completa.
A vida aos (quase) 40:
#1 - Continuo a ter a mesma imaginação que tinha aos 15, aos 20 e aos 30 anos!
Saldos 2023:
2 bikinis e um vestido para mim.
6 calções, 3 pares de calças e 1 sweater para a criança.
Gratidão.
Hoje morreu alguém que eu conhecia mal mas que me deu para as mãos uma lanterna num dos momentos mais escuros da minha vida.
Desconfiança.
O maior problema é que eu não confio em nenhum homem o suficiente para conseguir sair deste conforto solitário a que me habituei.
Lofoten
Estou de pé junto à entrada da baía do mar, com uma gabardine amarela vestida e um vestido de lã às riscas. Tenho calçadas umas botas peludas e felpudas e na cabeça um gorro branco. Estou apoiada numa árvore ali ao pé porque a barriga da gravidez já está demasiado pesada para estar de pé tanto tempo. Estou à espera de ver o avião aterrar e perceber se as encomendas que fiz para a bebé que vai nascer já chegaram.
Quando olho novamente vejo-te a chegar do final do dia de trabalho a pé. Trazes umas calças azuis escuras, uma camisa xadrez e uma camisola de lã branca. Por cima vestes um sobretudo castanho e umas botas também castanhas nos pés. Vens com aquele sorriso que eu adoro vestido e que me derrete nos lábios e sei que o dia te correu bem. Mas quando te olho nos olhos detecto alguma apreensão embora a tentes disfarçar.
Enquanto vens ter comigo, o avião aterra. Em breve saberemos se as nossas encomendas chegaram. Entretanto comecei a andar em direcção a casa e parei encostada à carrinha azul clara que está estacionada do outro lado da rua. O céu está tipicamente cinzento como é apanágio destes dias nesta altura do ano, mas sinto que esta é a melhor luz que podia ter nesta fase da minha vida.
Damos as mãos e entramos em casa. A salamandra do meio da sala já deixou tudo bem quente. Descalçamo-nos e tiramos os casacos. Vais para a cozinha fazer o jantar enquanto eu subo ao quarto para ver o meu filho mais velho e saber como lhe correu o dia. Cheiro-o quando lhe dou um beijo e por momentos lembro-me dele ainda bebé. Que saudades de o ter no colo... Pergunto-me como vai ele reagir à chegada desta irmã. Falamos uns minutos sobre a escola e os amigos e deixo-o perdido nas músicas e jogos dele. Dirijo-me ao quarto para tomar um banho quente e penso em como vai ser tão diferente esta experiência de ter uma filha noutro país completamente distinto. Aqui o parto vai ser em casa. Tenho algum medo mas resta-me confiar. A hipótese de ir para outra cidade e estar lá sozinha não me faz sentido.
Saio do banho e tu já estás a entrar no quarto. A casa já cheira a comida de conforto. Nem nos meus melhores sonhos acreditei ser possível ter uma nova vida assim. Uma vida noutro país, um homem com o melhor coração que conheço, uma outra filha na minha barriga e uma casa que adoro numa cidade tão recôndita que a maioria nos meus amigos nem sabe onde é. Nunca sonhei que o meu paraíso podia ser esta paz.
Vejo a tua barba loira e pergunto-me como será a mistura desta nossa filha que cresce na minha barriga. Estou com muita vontade de a conhecer, mesmo sabendo que os próximos meses vão ser extremamente difíceis na minha vida. Um recém-nascido nascido é dos maiores desafios que conheço. E eu tenho muitas coisas para curar com a chegada desta filha.
Visto o pijama e desço à cozinha, ponho a mesa porque hoje quero muito jantar em família. Quando o jantar termina ponho a loiça na máquina e deito-me no sofá. Quero aninhar-me nos teus braços, meu marido, e deixar que a Alice dê pontapés na barriga até se cansar e me deixar adormecer.
Adormeço no teu colo, com o calor da salamandra espalhado pela casa. Acordas-me suavemente e amparas-me até chegar à cama e adormecer com a chuva a cair lá fora e o nevoeiro que entretanto se espalhou na vila. Enrosco-me em ti enquanto me aqueces os pés e me fazes festinhas na barriga como sempre gostei. A Alice já adormeceu há muito e eu estou quase a adormecer também, embalada por ti e por ela. Nunca pensei que pudesse voltar a ser feliz desta forma.
- Takk for at du er en del av livet mitt - sussurro-te ao ouvido enquanto me deixo levar pelo sono que regressou.
- Jeg elsker deg - respondes tu de volta.
Aqui encontrámos a nossa paz.
Old habits:
Estar tão cansada que amaldiço a viagem que marquei. Arrepender-me 20 vezes de passar férias longe de casa. Contar o número de voos a sair ao mesmo tempo e calcular o número de pessoas na fila da segurança. Levar roupa sem cinto nem metal. Despejar a garrafa de água para depois encher no wc. Chegar ao aeroporto apenas com 1h de antecedência e ainda assim esperar. Chorar dentro do avião. Chegar ao destino e sentir que estou novamente em flow.
Tristemente concluo:
A grande maioria das pessoas que eu conheço proclama que quer honestidade mas fica agarrada a jogos emocionais.
Transparência:
A quantidade de posts que escrevo é proporcionalmente inversa ao meu estado de tranquilidade emocional.
As Mais Perigosas:
As mentiras mais perigosas são aqueles nas quais, consciente ou inconscientemente, escolhemos acreditar.
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Espelho:
Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.
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Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.
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Pagar ou não pagar 350 euros por umas jantes especiais??? Eis a questão!
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Nem sempre temos a maturidade necessária para reconhecer nos outros exactamente aquilo que esperamos deles.
