Mulher do cabelo de fogo.
Pequenas Vitórias!
Mais de um ano depois consegui encontrar alguém que resolveu o problema do autoclismo cá de casa.
57 Camelos!
A tarefa mais produtiva do dia de hoje, foi descobrir qual seria o meu valor em Marrocos, se fosse trocada por camelos.
E eu decidi espreitar antes de entrar.
No primeiro dia de 2021 abriu-se uma porta a que eu bati há quase 2 anos.
Presente de Natal:
O homem que me conhece bem - e que ficou em Lisboa - ofereceu-me uma playlist de Natal e conseguiu deixar-me de lágrimas nos olhos.
Diário do Semi Confinamento #12122020
Passou muito tempo - quase um mês! - desde que escrevi este tipo de post pela última vez. Mas a verdade é que não tenho dado pelos dias a passarem nas últimas semanas. Estive em casa vários dias fechada sem sair para nada, excepto para levar a criança à escola e ocasionalmente ir ao ginásio, e quase a bater mal, mas com tantas coisas para terminar que nem sabia para onde me virar!
Ontem foi um dos dias mais intensos deste 2020. E se este ano tem sido pródigo em dias memoráveis e cheios de emoções! Ontem despedi-me das CreativeMornings Porto e senti-me mesmo a fechar a porta do ciclo que durou mais de 2 anos. O evento final foi lindo e encheu-me o coração e as medidas. Mas foi absolutamnete esgotante e retirou-me até a última gota de energia que havia em mim.
Acresce a isto alguma actividade física extra no departamento amoroso, com alguém a quem eu chamo Puto, por isso dá para imaginar que não ando propriamente a ter muitos momentos de descanso ou de pausa para recuperar energia!
Hoje acordei pelas 10h com companhia na cama, tomei o pequeno-almoço no sofá enquanto ele ainda dormia e pelas 11h quando ele acordou acabámos por sair para beber café. Depois disso segui para o supermercado para comprar as coisas para um jantar cá em casa com o meu Husband Material e fui até ao mar dar um passeio e ver se me libertava deste peso que o dia de ontem me deixou. Caminhei 1h, sentei-me na areia a apanhar sol e ver o mar bravo a chegar a terra e reflecti sobre algumas coisas do Homem Poeta. De alguma maneira sinto que me vou despedir de algumas pessoas neste 2020 e que estou a libertar bagagem para coisas novas.
Senti falta de uma pessoa na minha vida. O único homem com quem terminei e que acredito que foi um erro. Mas já tentei falar com ele sobre isso e como não tive nenhuma resposta do outro lado, resta-me seguir em frente e não ficar a remoer esse assunto.
Almocei lasanha e fiquei a ver uma série enquanto fujo da escrita porque estar sentada a pôr em palavras tudo o que vai aqui dentro é absolutamente doloroso. Quero muito a mudança que se avizinha em 2021. Tenho ainda inúmeras tarefas para fazer nos próximos dias e vou passar o Natal longe da minha mãe porque não suportaria conviver com a possibilidade de acontecer alguma coisa.
Estou sem a mínima energia para nada. O final do ano é sempre uma época delicada para mim. E este ano estou a ver que vai ser ainda mais exigente com todas as questões emocionais que vai trazer. Pela primeira vez na vida, desde que me tenho por gente, não planeei nada para o meu aniversário. A única coisa que almejo é descansar e não me preocupar com nada.
Tenho duas das minhas melhores amigas em Portugal e não creio que vá estar com elas sequer! Estou aboslutamente exausta desta pandemia toda e a única coisa que me apetece é hibernar até que seja Primavera.
2020 foi o ano que mais me permitiu ir até ao fundo de mim mesma. Mas esta escavação é duríssima e tem sido bastante esgotante lidar com tudo o que é descoberto no caminho. Valeu muito a pena, cresci imenso, estou longe de ser a mesma pessoa que era em Janeiro deste ano, mas estou exausta. Só quero parar de ir para dentro e passar a poder ir para fora também! O vá para fora cá dentro só é mesmo bonito nos cartazes do Turismo de Portugal.
Ainda antes do ano acabar, estou apostada em:
Ver "Todas as Coisas Maravilhosas" pela 2.ª vez e babar para cima do Ivo Canelas.Ter uma conversa difícil com alguém.Despedir-me das CreativeMornings Porto.Passar um fim-de-semana com uma amiga na capital.Teorizar sobre os 3 Erros do Amor na televisão.Ser madrinha de Natal de uma menina orfã.Criar o rascunho de um projecto novo.Despedir-me do Homem Poeta.- Cozinhar um brunch natalício.
Encontrar a minha palavra para 2021: Ressoar.- Ler "O Caminho do Artista" para o meu clube de leitura.
Perder-me nos braços de uma pessoa.Fazer uma coisa memorável no meu aniversário!Festejar um São Martinho Natalício com o vizinho de baixo.Fazer 37 anos.
A saga da empregada:
Desde que deixei a minha Rosarinho em Lisboa que a minha vida nunca mais foi a mesma.
Operação Popota!
O meu vizinho de baixo veio trazer-me uma caixa de browniettone (panettone + brownie) para eu provar e dar a minha opinião!
Diário do Semi Confinamento #14/15.11.20
Gostava muito de conseguir ir mantendo este diário de semi confinamento, seja porque tenho redescoberto que a escrita é mesmo um pilar fundamental no meu bem-estar psicológico e espiritual, seja porque acredito que a ciência vai precisar de relatos destes para conseguir compreender melhor o que aconteceu neste período bem escuro da história da Humanidade e a palavra escrita é sempre a melhor arma para não deixarmos que apenas exista uma versão única dos factos. Mas a verdade é que de 2.ª a 6-ª a minha vida decorre dentro daquilo que é a minha normalidade destes últimos 3 anos e ao final do dia raramente consigo ter energia suficiente para estar acordada a relatar o dia.
Este fim-de-semana foi vivido entre extremos. Ontem acordei cedo com o meu filho ainda antes das 8h mas consegui dormir mais 1h enquanto ele via desenhos animados na tv. Quando penso na vontade que tenho de ter mais um filho passa-me logo mal penso no cansaço acumulado da falta de sono! A sério que não sei gerir menos do que 8h de sono por noite. Acabei por passar o dia todo em casa porque percebi que depois nas 13h nem os supermercados estavam abertos e também choveu o dia todo por cá. Arrumei a casa de manhã, fiz o almoço e pelas 14h o pai da criança veio buscá-lo para a semana dele na capital. Passei a tarde no sofá, com a gata deitada em cima de mim, entre telefonemas vários e mensagens trocadas com amigos e algum passeio pelas redes sociais.
Jantei sushi que encomendei com um copo de vinho espumante, vi o 2.º episódio do Masters of Sex e comi gelado enquanto fazia horas para ver o Bicho do Bruno Nogueira. Acabei por sucumbir à meia-noite com o sono e a inércia. Mas dentro das possibilidades foi um dia bastante bom!
Hoje acordei depois de 9h de sono profundo seguidas, arranjei-me e tomei o pequeno-almoço e fui ao supermercado porque precisava de novo abastecimento de gelado de chocolate. Segui direta ao mar e fui passear na Marginal de Matosinhos enquanto ouvia música e percebia aos poucos que estou a chegar a mais uma encruzilhada séria da vida em que vou ter de decidir genuinamente o que quero fazer dela. Ando aqui às voltas porque pressinto uma mudança e prefiro esperar por ela em vez de decidir às cegas e depois arrepender-me.
Entretanto senti-me uma fora da lei rebelde porque só cheguei a casa eram 13h20. Regressei a casa pela beira-rio e vim a disfrutar da música, vidros abertos e a cidade deserta. Somos muito ordeiros e isso tem tanto de bom como de mau. Sinto que mais do que nunca vivemos uma fase de extremos, de polarização, de se não estás comigo então estás contra mim! Deixámos de abrir espaço ao debate, à discussão, à diferença de opiniões e pontos de vista em nome de um bem maior que só a história e tempo dirão se nos vai salvar ou matar. Deixou de haver espaços seguros de discussão, deixou de haver tolerância a ideias divergentes, deixou de se debater os factos e as ideologias. Sinto-me a sufocar por essa ausência de bom debate, de debate inteligente, de discussão enriquecedora. Sinto que como humanidade vamos todos ficar genuinamente mais pobres com isto e temo a própria evolução da ciência com pontos de vista únicos.
Sou daquelas que não discute se a terra é redonda ou plana, nem se as vacinas nos deixam autistas, porque tenho isso bem claro à luz da ciência e da evidência dos factos. Mas discuto sim o uso obrigatório da máscara em vias públicas, como aliás hoje discuti com um polícia a interpretação dessa mesma lei. Não quero viver com medo mas também não quero viver numa ditadura dissimulada e estou a lidar muito mal com a perda dos meus direitos adquiridos. Acho que a minha decisão na encruzilhada também dependerá muito do evoluir desta pandemia e dos resultados dela.
Quero poder educar o meu filho na luz, na liberdade, na discussão saudável e no debate crítico. Quero que ele se sinta seguro, perceba as implicações de uma vida em sociedade mas nunca deixe de pensar pela cabeça dele. Se há objetivo que tenho é estimular o pensamento crítico naquela cabeça. Até porque essa é a única arma que lhe posso dar para que ele chegue à sua própria felicidade.
Diário do Semi Confinamento #07/08.11.20
Mais um fim-de-semana chuvoso no Porto que terminou deste forma majestosa com um imenso túnel para o infinito da vida, como a minha mãe lhe chama. Acompanhado da melhor notícia política que muito desejei nestes últimos meses. A prova de que ainda há esperança e que mesmo no túnel mais escuro há sempre pessoas a acreditar na luz. Hoje não ganhou só o Biden e a Kamala, ganhou a ciência, a humanidade, a esperança e a fé num mundo melhor!
Quer no Sábado, quer no Domingo acordei pelas 10h. Tinha deixado o pequeno-almoço feito à criança nas noites anteriores e ele levantou-se pelas 8h e eu dormi mais 2h abençoadas horas que bem estava a precisar. No Sábado passei a manhã na cozinha a preparar a comida da semana, já que Domingo tinha planos fora de casa o dia todo! E ainda bem, porque parece que foi o últim fim-de-semana pré-confinamento. Sábado fiz sopa, fiz fruta cozida, assei pimentos no forno, salteei cogumelos com cebola e fiz um queijo camembert no forno com azeite e ervas. Tratei dos jantares da semana, para que todos os dias possa dar ao meu filho algum tempo e ter eu também tempo para mim. Almoçámos e estivemos a preguiçar pelo sofá a tarde toda.
Quando estava quase a anoitecer voltei à cozinha para fazer muffins de chocolate e poder estar a beber o meu chá enquanto brincava com as minhas cartas de Tarot e de Oráculo. Nas duas cartas que tirei recebi um mensagem de um novo começo. Não sei exatamente de quê, mas é bastante inequívoco de que estou numa viragem. Consigo vislumbrar aqui algumas mudanças, alguns pontos de interesse novos, alguns finais de coisas e ciclos. E inevitavelmente a um fim segue-se sempre um princípio, mas estranhamente não consigo perceber mesmo qual e como. Sinto-me bastante bloqueada na visualização das coisas e sinto que este ano veio mudar muito do que tinha como forma de estar e fazer.
Jantámos tranquilamente e depois de deitar a criança fui ver o Undoing na HBO. Bastante forte e não muito apropriado a pessoas quem vivam sozinhas mas ainda assim com densidade psicológca suficiente para me fazer ficar agarrada à coisa. Só me irrita que não estejam ainda todos os episódios disponíveis!
Domingo foi dia de deixar a criança em casa da tia-prima e ir almoçar com o Homem Poeta outra vez. Comi uma pizza deliciosa no Muti aqui na baixa do Porto. Éramos os únicos clientes quando chegámos e quando saímos havia apenas mais uma mesa com um casal e as duas filhas. E por melhor que me saiba estar nesta paz num restaurante e disfrutar da cidade meio deserta, preocupa-me imenso a sobreviência de milhares de pessoas que trabalham no sector da cultura e da restauração. Não consigo ficar indiferente a ver esta morte lenta, ainda que perceba a necessidade destas medidas de combate à pandemia.
Depois disso seguimos para o Hard Club, para ver uma peça de tetaro que tinha na minha bucket list há mais de um ano: Todas as Coisas Maravilhosas, com o maravilhoso e incrível Ivo Canelas. Se estiverem ou forem a Lisboa não percam isto. Foi um dos pontos altos de 2020. E se há ano em que os vou enumerar todos, é este! Final de ano, me aguarde!!! Sobre o Ivo apenas posso dizer que é um actor incrível, de uma entrega majestosa e de uma capacidade de nos fazer rir e vibrar extraodinária. Admiro imenso a entrega dele à peça, a emoção que consegue provocar e lembrou-me que o teatro é uma arte que ainda vou experimentar mais a sério um dia. Adorei!
Segui para ir buscar o meu filho, ainda lanchei com a minha prima e conversámos um bocado sobre relações amorosas e o quão difícil é encontrar um match que não seja apenas físico, nem psicológico mas também amoroso. Isto é uma espécie de Euromilhões: há imensos números/homens disponíveis, temos uma preferência especial por alguns, a probabilidade de nos sair o que gostamos é ínfima, mas se acontecer ganhamos um jackpot. Claro que depois podemos apenas conseguir 2 ou 3 números e estrelas e isso ser um prémio fixe, mas não é o jackpot. Pode dar para o gasto, pode até ser apenas o prémio que precisávamos e não continuarmos sequer a jogar. Tudo é legítimo aqui. A questão é que eu sou mulher de jackpots e por isso ainda ando a jogar às probabilidades.
A caminho de casa ainda fiz um desvio a Gaia para levar um mimo a uma amiga que está em casa em isolamento profiláctico porque um colega de trabalho testou positivo. Estivemos à janela a conversar e a rir um bocado enquanto o meu filho dormia no carro. Cheguei a casa pelas 19h30 e acabei o dia de forma tranquila e a ver mais um episódio do Undoing.
Tenho muitas saudades de ter uns braços para me aninhar ao final do dia no sofá. Tenho saudades de dividir a manta com alguém e discutir para ver que série se vê na TV. Mas tenho cá dentro uma paz imensa por estar sozinha, uma gratidão por ter uma vida confortável, uma serenidade por estar equilibrada e feliz. Se estar sozinha à noite no sofá a ver uma série na TV é solidão ou liberdade, somos nós que escolhemos. E por hoje, eu escolho a liberdade.
Diário do Semi Confinamento #06112020
Tenho acordado com pouco ânimo mas ainda muito longe do estado de desespero em que acordava no confinamento. Lembro-me de na 1.ª semana de quarentena todos os dias acordar a pensar se o pesadelo já tinha acabado e se tinha sido tudo um sonho mau. Acho que essa experiênca foi a maior lição destes tempos e a melhor forma de me lembrar sempre de ser grata por tudo o que tenho como adquirido.
O dia acordou cinzento a combinar com o estado de espírito e a lembrar que aos poucos o Inverno se está a instalar neste hemisfério. O meu filho só deu sinais de despertar eram quase 8h30 o que não correu mal, porque tínhamos um consulta no bendito e louvável Sistema Nacional de Saúde (SNS) para perceber como é que resolvemos uma situação que muito possivelmente vai acabar numa cirurgia com anestesia geral. Mas aos poucos estou a mentalizar-me para isso. Toda a minha experiência de vida com o SNS é muito boa e serei enternamente defensora dele e grata por viver num país onde o mesmo existe e funciona! Depois de toda a experiência que é ir ao Centro de Saúde em tempos de corona, lá o levei à escola e segui para ir tratar de assuntos mundanos meus e dele.
Fui almoçar com o Homem Poeta a um sítio super inesperado mas onde comi bom sushi e acabámos com ele lavado em lágrimas a falar do pai e dos pesadelos que tem. Aquela pessoa é capaz de ser o Homem mais partido e resiliente que eu alguma vez já conheci. Com os maiores demónios dentro dele - e eu sei de onde vêm - e ao mesmo tempo com a maior ternura despreocupada e isenta de cobranças e retorno que já alguma vez vi. É de uma dualidade atroz que lhe desperta uma ambiguidade interna que chega a ser desesperante. E eu continuo sem saber bem o que faço na vida dele, que papel represento, que sol e luz sou ali naquele espaço e naquele lugar. Mas por algum motivo continuo e sinto-me incapaz de desertar.
Regressei a casa a pé, com o meu guarda-chuva mágico que muda de cor à medida que a chuva lhe cai em cima e parei no supermercado para comprar pão brioche para o pequeno-almoço da criança e uma garrafa de espumante de melão para mim! O estado de emergência está de volta e eu preparo-me para ganhar mais uns quilos à custa de álcool.
Passei o resto da tarde a trabalhar numa meia luz com um céu lá fora que dava alguma esperança no futuro da humanidade! Mas só isso. Temo muito que 2021 vá ser um ano bem pior que este 2020 de que tão mal falamos. Tenho tido muita dificuldade em manter o meu optimismo porque vejo um futuro escuro e uns meses de pandemia difíceis.
E o pior disto tudo é saber que a minha solidão vai pesar cada vez mais...
PS. A foto é da Praia de Cortegaça, do meu almoço de 4.ª feira que acabou ao pôr-do-sol!
Diário do Semi Confinamento #05112020
A verdade é que não posso fugir desta escrita por mais que queira. O resumo do final de dia em palavras traz-me mais paz do que horas de meditação. Passei uma semana em que tinha tantas tarefas e estava tão cansada que não tinha tempo nem vontade de escrever. Mas esta semana voltei a precisar disto.
Comecei o dia com um padrão de sono novo e estranho que me tem sido frequente nas últimas semanas. Acordo às 6h e acabo por adormecer novamente até às 7h30. Não é incrível mas é melhor do que não dormir mais. Há dias em que me levanto, medito, tiro umas cartas de Tarot, escrevo umas coisas e há outros em que acabo apenas por adormecer sem pensar muito. Hoje dormi e só saí de cama quase às 8h.
Tratei da rotina, deixei a criança na escola e fui até ao parque andar a pé na Natureza e tentar conectar-me e ver o que se passa cá dentro. Isto anda estranho! Tirei umas fotos a um céu super esquizofrénico que parece quase o interior da minha alma e vim até casa organizar as coisas. Tive duas reuniões, tratei de coisas e decidi fazer um pausa no trabalho e desligar. Há dias em que mais vale organizar a cabeça.
Mais uma reunião à hora de almoço, com coisas sobre a maternidade e um projecto novo e lindo. Almocei lasanha vegetariana enquanto via uma série. Um aparte, esta semana comi carne e sinto-me literalmente doente do ponto de vista físico. Não só fiquei enjoadíssima a seguir ao almoço, como ando de rastos com o cansaço e sinto o meu sistema digestivo estranho.
No resto da tarde, fui tratar das compras da semana e fim-de-semana e acabei por estar a ver mais uma série e nas redes sociais. Quando cheguei a casa do supermercado tinha o meu vizinho à porta com um frasco de mel para me oferecer e acabámos por estar meia hora a trocar ideias e opiniões. Aquele jeito brasileiro dele de fé e esperança anima-me sempre! Mas ainda assim, continuei sem cabeça para me concentrar. Não consigo ouvir música, não consigo escrever nada de jeito, não consigo ler nem estudar. Apetece-me enfiar-me numa cápsula de sono e esperar que o Mundo gire e eu só acorde depois da pandemia passar.
Estou sem a mínima esperança ou optimismo no futuro. Antevejo um 2021 igual ou pior que este ano e pouca esperança numa vacina ou algo parecido. Tenho uma amiga com quem estive possivelmente infectada e prefiro nem pensar muito no assunto. Fisicamente estou bem, tenho continuado a ir ao ginásio treinar e nadar e continuo apostada em não apanhar o bicho, de preferência.
Hoje passei o dia a comer. Devo estar com TPM ou algo do género porque só me apteceu pão com manteiga, queijo, batatas fritas e gelado de chocolate que comi. Decidi que ia passar duas semanas com fome para compensar disto, mas hoje teve de ser. Foi uma fome emocional que eu não sei de onde vem e não tenho pista nenhuma sobre o assunto.
Amanhã tenho mais um dos meus almoços com o Homem Poeta e hoje trocámos umas mensagens muito bonitas. Soube bem sentir que há ali um abraço para me segurar nos tempos difíceis. Pelo meio tive de ameaçar outro homem com um bloqueio completo se ele insistisse em manter conversas inapropriadas que não levam a nada de positivo. E ainda levei com uma resposta de que devia estar de mau humor. Esta mania masculina de confundir a nossa assertividade por questões hormonais deixa-me fula! Cada vez conheço menos homens com coragem. E cada vez me preocupo mais com a forma como estou a educar o meu filho para o futuro.
Ainda sobre Vizinhos:
Na 4.ª feira cheguei a casa e tinha um saco pendurado na porta, com uma caixa lá dentro embrulhada por uma fita onde estavam escondidas estas delícias de chocolate com que o meu vizinho de baixo decidiu surpreeender-me.
E de repente, o Mundo voltou ao seu lugar.
Diário do Semi Confinamento #24102020
O meu dia começou pelas 7h quando acordei a primeira vez e o meu filho acordou a seguir a mim. Consegui convencê-lo de que ainda era de noite e ele veio para a minha cama e voltámos a adormecer até às 9h40. Soube pela vida estar enroscada nele a dar-lhe beijinhos e festinhas enquanto o ia ouvindo a respirar de forma cada vez mais pesada até entrar no sono novamente.
Estive na cama até perto das 11h enquanto ele brincava na sala e comia o pequeno-almoço que eu deixei preparado num tabuleiro no dia anterior. Passei a manhã a tratar da casa e das nossas coisas para a próxima semana. Fiz o almoço e a seguir fiquei sem serviço de TV e Net. Estou neste momento de dados ligados no telemóvel enquanto escrevo isto e oiço música.
Já reclamei mas aparentemente só tenho equipa técnica disponível na 2a feira. Vai ser um imenso desafio a mim mesma. Hoje fui passando entre dados e uma ida ao cinema com a criança onde éramos literalmente os únicos dois espectadores do filme na sala toda, o que me deu mais tranquilidade. Amanhã dão chuva para o Porto e não sei mesmo como é que vou sobreviver sem internet em casa com o puto. Um fim de semana analógico não estava nos meus planos. Mais do que agradecer o digital detox sinto que há uma imensa mensagem do Universo para parar.
Já me fartei de chorar hoje novamente. O Homem Poeta foi capaz de me despir sem me tirar uma única peça de roupa e isso tem tanto de reconfortante como de assustador.
Tenho visto muitas rosas dos ventos no meu caminho. Sinto que há uma nova navegação à vista. Que há um Norte novo a orientar-me e que é hora de rumar a um novo Porto. Podia ser Porto Santo! Adoro aquela praia...
Tenho rádio e livros para ler com fartura. Estou tranquila com o facto de não ter internet. Menos com o facto do meu filho não ter televisão nem tablet com dinossauros. Mas a criatividade é a melhor arma para combater isto. E dessa temos a montes!
PS. A foto é do fim de semana passado, em Vidago.
Diário do Semi Confinamento #23102020
Tenho passado os últimos dias a escrever como se a minha vida fosse aoenas debitar palavras em papéis. Sinto que estou a viver num mar gelatinoso de marasmo e escrever assemelha-se a um bote salva-vidas que me permite ir flutuando à deriva da maré.
Hoje o dia começou cedo. Eram 6h40 quando o despertador tocou depois de uma noite cheia de sonhos estranhos e de acordar pela 1h com a chuva a bater lá fora. Sabe tão bem estar no quentinho da cama à noite a ouvir o som da chuva...
Saí de casa eram 7h40 depois de ter deixado a criança entregue ao tio bombeiro para a levar à escola, em direcção ao evento mensal que me faz sentir em casa no Porto. Este mês foi mais uma confirmação de que o trabalho está a ser bem feito e de que vale sempre a pena apostar naquilo em que acreditamos.
Saí pelas 10h30 e decidi que precisava de estar fora de casa a trabalhar. Tenho tido imensa dificuldade em concentrar-me em casa e tenho de ir encontrando estratégias para ver se volto a ser produtiva. Acabei no Noshi a comer torradas e a terminar mais uma tarefa pendente que é urgente por a rolar.
Fui almoçar sushi com o Homem Poeta a um sítio bonito e fancy e saí de lá com a sensação de que estamos a caminhar para uma cada vez maior profundidade nesta relação que assume todos os papéis menos o carnal. Parecemos um antigo casal que não deu certo que almoça todas as semanas por respeito e carinho um pelo outro. Atualizamos as novidades da semana e buscamos sempre os assuntos que mais nos feriram e onde precisamos de alguém que nos passe a mão pela cabeça e nos diga que somos capazes de mais e melhor. E passamos o resto da semana a saber como correu o dia e a perceber como nos podemos apoiar mutuamente. Sinto que estamos a construir a base mais sólida de todas para uma amizade que não é nada convencional.
Cheguei a casa pelas 15h e decidi que tinha de combater a minha apatia. Decidi mergulhar bem lá atrás numa infância não muito bonita e com alguns aspectos dolorosos que influenciaram algumas das minhas crenças de vida. Sinto que estou numa nova fase de cura, que passei por um processo recente de uma transformação que nem eu própria ainda vejo no seu todo. Sinto que há toda uma nova camada de pele a conhecer porque é recente e não sei bem como é que é a sua textura.
Consegui cumprir as tarefas minímas de sobrevivência no final do dia e acabei a noite a tentar escrever isto enquanto ia derramando lágrimas pela cara abaixo, à medida que ia vendo o Arquitecto a escrever coisas no meu whatsapp e me ia lembrando das coisas boas que vivi.
Preciso do fim de semana que se avizinha como preciso de mar e de passeios na areia e de água. O meu lado feminino está tão ferido que só a água me pode ajudar a atenuar a dor.
Diário do Semi Confinamento #22102020
Gosto muito da palavra Malaca. Gosta da forma como se enrola na língua e bate nos dentes, como se fosse uma goma de açúcar prestes a explodir-nos na boca e invadir-nos de doçura. E depois soa a um misto de maluca com marota e muita laca no cabelo!
Hoje andei na rua o dia todo e isso fez logo maravilhas pela minha boa disposição. Lá fora o sol brilhou o dia todo também e essa vitamina D a mais também ajudou bastante a elevar a moral desta tropa. Comecei o dia a levar o carro à inspecção (ainda não foi este ano que arranjei um gajo para me tratar disto, a par do IRS e dos cozinhados!) e a ouvir a história de uma criança de 6 anos que tem hipotonia e de um pai que vive atormentado por o filho não ser capaz de andar. É nestas alturas que levo um estalo da vida e penso que nem sei a sorte que tenho por ter um filho saudável. Queixo-me de coisas tão insignificantes, que parece que queixarmo-nos e aspirarmos a mais é uma necessidade demasiado humana.
De seguida fui tratar de questões logísticas minhas e da criança enqaunto ouvia música e andava a pé ao sol com uma leveza que já não sentia há algum tempo. Segui para casa a tempo de despachar tarefas pendentes do grande evento do mês que é amanhã de manhã. À tarde tive uma reunião num espaço de bicicletas do Porto, a Veloculture, e fiquei fascinada com toda a decoração. Se um dia tivesse uma loja seria assim!
Acabei por voltar a pé para casa e fotografar alguns recantos da cidade. Quanto mais tempo passa, mais percebo que andar a pé a ouvir música e fotografar são duas coisas que me acalmam até ao estado zen. Fico fascinada com os detalhes! E agora que tenho um telemóvel com um câmara espectacular ainda retiro maior prazer disso.
Ontem na brincadeira com um grupo que tenho no whatsapp, comecei a delinear a ideia da festa de arromba pós-corona que vou organizar quando a pandemia passar. E a brincar, a brincar, esta ideia acabou por acender a minha luz ao fundo do túnel. Ando mentalmente a fazer a playlist da coisa, já tenho uma DJ de serviço, tenho contactos de patrocinadores de bebidas e tenho um espaço icónico na cidade para fazer acontecer. Pode ser só loucura, mas é bem provável que venha a ganhar forma! Veremos...
Não sei se foi do sol que apanhei, do murro no estômago de perceber que só tenho problemas de 1.º mundo ou da ideia louca de uma festa, mas a verdade é que hoje o meu ânimo melhorou. Amanhã tenho o melhor evento nacional do mês e um almoço com o meu poeta. Creio que manteremos o ânimo levantado.
Ninguém sabe bem quanto tempo esta pandemia pode demorar, mas a verdade é que um dia acaba. E nesse dia, as pessoas continuarão cá. E essas, são a única coisa que interessa. Isso e uma hipotética viagem a Malaca que cada vez mais se vai tornando real na minha realidade pós-pandémica.
Diário do Semi Confinamento #21102020
Porque a escrita é sempre o Porto seguro onde regresso quando tudo na minha vida parece querer desabar, volto a esta espécie de Diário que me salvou da insanidade no confinamento. Crente de que aqui possa ir ganhando sentido disto tudo. E porque este Domingo no meu Clube de Leitura falou-se da perda que temos vindo a sofrer da memória a longo prazo e de como precisamos da escrita para isso e para, a par com a memória, conseguirmos ir relacionando conceitos e conhecimentos mais profundos.
Ontem escrevia no meu caderno em papel sobre o Arquitecto, um homem que me irrompeu na vida e me fez perceber que ainda sou capaz de me apaixonar tal como antes. Infelizmente a coisa foi breve, mas intensa o suficiente para me fazer chorar quando dei de caras com uma foto dele nas redes. Ali voltei a sentir que seria capaz de fazer ninho e chamar aqueles braços casa.
Hoje escrevo aqui porque me sinto num imenso marasmo. Estou vazia de sentido. Lentamente sinto que a apatia está a tonar conta de mim. Passo os meus dias enfiada a trabalhar em casa. Saio de manhã para levar a criança à escola, sigo para o ginásio se conseguir ter tempo, volto para casa a tempo de despachar emails e notícias, almoço enquanto vejo uma série - ando viciada no Admirável Mundo Novo e na Normal People da HBO - e arrasto-me nas horas e nas tarefas até ser horas de sair para ir buscar a criança outra vez. Passo semanas sem trocar mais que meia dúzia de palavras com adultos e sem que alguém me toque, além do meu filho. Não sei o que é ser despida e beijada há demasiado tempo.
Estou a sentir fisicamente uma dor desta ausência de beijos e abraços com os amigos, da ausência de ver sorrisos na cara das pessoas, de ver lábios. Estou absolutamente exausta desta pandemia. E sinto que a minha saúde mental já viu melhores dias.
Hoje tive uma conversa porreira com uma amiga na mesma situação que eu. Discutimos possibilidades do que fazer no final do Doutoramento e de como é tão solitário o trabalho de investigação. No final do dia, acabei à conversa com o meu vizinho de baixo que é chefe de cozinha num Vila Galé cá da cidade e percebi que faz sobremesas por encomenda. Acho que me vou desgraçar!
Morro de saudades de ver filmes enroscada em alguém, de dormir encaixada, de dar e receber mimos. Aos 36 anos a solidão está a pesar-me de uma forma que nunca achei ser possível.
Novo Título:
Mulher. Esposa. Companheira. Parceira. Súcuba. Barregã. Amásia. Franjosca. Comborça. Boneja. Barbiana.
Do Trabalho (9):
O Porto consegue ser um dos 15 distritos sem nenhuma empresa de locação financeira.
Convergência Temporal:
A memória é o passe de magia que nos permite no presente, mudar o futuro, com base no passado.
Educated Guess!
Quando eu dizia que o Porto era a cidade com maior concentração de móteis por metro quadrado, estava longe de imaginar que teria 22 dos 47 totais!
Num país lá longe:
Eu torço tanto mas tanto pelo Joe Biden e pela Kamala Harris que vou ganhar artroses nos dedos.
Moinho:
A liberdade sempre foi o meu valor mais fundamental. Apesar de mulher, trago-a impressa na pele como se fosse um segundo nome ou uma tatuagem que se faz para assinalar alguma coisa marcante.
A grande vantagem de passar as férias grandes de Verão numa aldeia no Norte do país, era precisamente poder usufruir dela, mesmo sendo mulher, e disfrutar desse sentimento em pleno. Lembro-me de sair de manhã cedo para ver o sol nascer no monte, de andar de bicicleta pela aldeia fora até chegar ao Hotel chique cá da vila, de namorar debaixo do carvalho ou dos pinheiros, de não ter horas para chegar a casa exceptuando as horas de almoço e jantar. Lembro-me de vaguear à vontade por todo o lado e em qualquer altura, sem pressas, nem relógio ou calendário.
E no final de cada verão, já sabia que havia sempre o ritual de ir com a minha avó ao moleiro entregar o milho, produto de um ano de cultivo, para ser moído em farinha que dava para um ano inteiro de pão.
O moinho onde íamos todos os Outonos já não existe e a ribeira que fazia o moinho girar está quase seca. Mas a estrada que fiz invocou o mesmo sentimento de liberdade que tinha há 20 anos atrás.
A miúda adolescente que vagueava pelos caminhos da aldeia envelheceu 20 anos no corpo mas nem um dia a mais no espírito! E a necessidade de liberdade continua igual.
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Espelho:
Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.
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Pagar ou não pagar 350 euros por umas jantes especiais??? Eis a questão!
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Começo a preocupar-me seriamente com a minha própria sanidade mental... Isto porque estou farta de férias, de não ter nada para fazer, de nã...
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Eu também já fui a pessoa que cortava amarras a direito e a frio.